Não abandono o que uma vez conheci.
Não os abandono não por uma questão de teimosia o "situação" mal resolvida, não. Não os abandono porque lá coloquei parte da minha alma, escondida, em cada perfume, em cada objecto, em cada olhar.
Se for a Porto Fino, sinto uma obrigação de percorrer de pés nus a sua pequena praia de pescadores... se me encontrar no Mónaco não resisto a entrar na sua Igreja... se estiver em Lisboa tenho de me encontrar no Ninho...
Não ligo às coisas materiais. Na verdade a única coisa que possuo totalmente minha, é o meu carro, daí que talvez seja mais casa do que a minha própria habitação.
Há um nómada em mim que não permite que as coisas me possuam... pelo contrário, as pessoas vão-me possuindo, esgotando... e isso não é mau!
Não esqueço os passeios de barco a remos no Campo Grande com o meu pai, não esqueço os abraços da minha mãe na Gulbenkian, da mesma forma que não esqueço as idas à praia com os meus primos, o gosto da minha avó para se ir para a praia da Parede por causa do iodo e, claro, a vontade do meu avô para irmos para o Meco e podermos fazer um piquenique...
Em todos esses momentos, em todas estas pessoas, reside a minha alma, por isso, não os abandono. Não posso. Não quero.
Foram este tempos que me definiram... definiram por forma a que entenda a tristeza, a dor, até mesmo o desejo de suícidio mas, são eles que me fazem continuar a não acreditar na amargura, no orgulho, na estupidez humana...
Não me afasto porque em mim reside a memoria... mas apenas aquela que deve residir: a das coisas boas!



2 comentários:
Há memórias das quais não podemos prescindir. E ainda bem que assim é.
Beijo :)
E são essas que residem e acalento na profundidade da minha alma... Apenas essas!
Beijo
Enviar um comentário