sábado, setembro 10, 2011

Fuga





Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos quando sonhamos que viajamos juntos num avião que se despenha e não apertamos as mãos um do outro com muita força?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se dormimos na mesma cama e os maus sonhos nos perseguem todas as noites?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se vivemos juntos e mal pomos o pé dentro de casa temos logo vontade de recuar?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jantamos juntos e a comida sabe mal e o vinho é amargo?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se prometemos partilhar e apenas proferimos palavras de circunstância?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se anunciámos um ao outro a alegria e não há risos nem música?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se trocámos os nossos corpos até se confundirem e agora não resta mais que a doença?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos escreveu as mais belas palavras de amor e hoje já nada tem para dizer?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos ofereceu protecção e abrigo e depois tingiu as paredes de mentira?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se lhe fizemos a dádiva do resto da nossa juventude e rapidamente nos deixou cair?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jurou que o nosso amor havia sido abençoado e os deuses nos esqueceram?

Muito. E fugimos.


A.M

4 comentários:

Pedrasnuas disse...

Perfeitos estranhos ...por isso antes que o avião se despenhe digamos o que sentimos, porque somos mais que enciclopédia, que conhecimentos adquiridos(sem desvalorizar a cultura) somos muito mais...saibamos conjugar o verbo sentir,ser e estar ...e acima de tudo Amar!!! Porque sem amor nada faz sentido!!!Até lá ...:)

Me Hate disse...

Alguém me disse, fez pouco tempo que amar era dor, no sentido poético do termo! Sinto-me tentada a concordar! Mas...

Não!

Amar é essencial!

Sim, não é amor e uma cabana mas, se não tivermos amor a rodear-nos o dia-a-dia, a nossa existência fica muito mais despida, muito mais triste e, acima de tudo, em última análise: muito mais pobre!

Amo porque isso me enriquece... mesmo nos tempos menos bons porque, os dias, já sabemos, não são sempre bons!

Enfim, uma eterna tontinha...

Oi, e se houver amor, dinheiro e saúde (não necessariamente por esta ordem): MELHOR!

Beijo

Pedrasnuas disse...

Então nesta questão estamos de acordo,certo?

Me Hate disse...

Yep! Como em muitas outras! ;)