terça-feira, setembro 27, 2011

Memória



Não abandono o que uma vez conheci.

Não os abandono não por uma questão de teimosia o "situação" mal resolvida, não. Não os abandono porque lá coloquei parte da minha alma, escondida, em cada perfume, em cada objecto, em cada olhar.

Se for a Porto Fino, sinto uma obrigação de percorrer de pés nus a sua pequena praia de pescadores... se me encontrar no Mónaco não resisto a entrar na sua Igreja... se estiver em Lisboa tenho de me encontrar no Ninho...

Não ligo às coisas materiais. Na verdade a única coisa que possuo totalmente minha, é o meu carro, daí que talvez seja mais casa do que a minha própria habitação.



Há um nómada em mim que não permite que as coisas me possuam... pelo contrário, as pessoas vão-me possuindo, esgotando... e isso não é mau!

Não esqueço os passeios de barco a remos no Campo Grande com o meu pai, não esqueço os abraços da minha mãe na Gulbenkian, da mesma forma que não esqueço as idas à praia com os meus primos, o gosto da minha avó para se ir para a praia da Parede por causa do iodo e, claro, a vontade do meu avô para irmos para o Meco e podermos fazer um piquenique...

Em todos esses momentos, em todas estas pessoas, reside a minha alma, por isso, não os abandono. Não posso. Não quero.

Foram este tempos que me definiram... definiram por forma a que entenda a tristeza, a dor, até mesmo o desejo de suícidio mas, são eles que me fazem continuar a não acreditar na amargura, no orgulho, na estupidez humana...


Não me afasto porque em mim reside a memoria... mas apenas aquela que deve residir: a das coisas boas!

domingo, setembro 25, 2011

No more!!!!



Acabaram-se as lágrimas por quem não as merece!
Daqui para a frente: Rir!

terça-feira, setembro 13, 2011

Ethos, Pathos e Logos...



Ele há dias em que estes, graças a deus, não se encontram...

sábado, setembro 10, 2011

Fuga





Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos quando sonhamos que viajamos juntos num avião que se despenha e não apertamos as mãos um do outro com muita força?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se dormimos na mesma cama e os maus sonhos nos perseguem todas as noites?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se vivemos juntos e mal pomos o pé dentro de casa temos logo vontade de recuar?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jantamos juntos e a comida sabe mal e o vinho é amargo?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se prometemos partilhar e apenas proferimos palavras de circunstância?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se anunciámos um ao outro a alegria e não há risos nem música?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se trocámos os nossos corpos até se confundirem e agora não resta mais que a doença?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos escreveu as mais belas palavras de amor e hoje já nada tem para dizer?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos ofereceu protecção e abrigo e depois tingiu as paredes de mentira?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se lhe fizemos a dádiva do resto da nossa juventude e rapidamente nos deixou cair?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jurou que o nosso amor havia sido abençoado e os deuses nos esqueceram?

Muito. E fugimos.


A.M