terça-feira, agosto 02, 2011

O outro



A justiça é sempre o outro.


A ideia retumbava-lhe no espírito amiúde.


Sabia que a felicidade era curta e que os momentos de choro que se seguiam eram sempre mais longos.


Nos últimos anos: demasiado longos. E as lágrimas, cada vez em menor numero eram sempre mais espessas, densas.


Os dias passavam frouxos. E o sol, redentor de toda a tristeza parecia ser apenas mais uma forma diaforética.


A justiça, pensou ela, é sempre o outro mas e outro surge porque o procuramos?


Não houve tempo para responder à pergunta: escancarou a boca, puxou o gatilho e no meio de tanto sangue já não havia tristeza, nem suor, nem lágrimas...

6 comentários:

mor disse...

Arrepiei-me...
Me Hate, escreves cada vez melhor.
Bjs

Me Hate disse...

Temos dias... e depois temos noites em que acordamos (como foi o caso) com uma ideia que, sem sabermos, até ao final desse dia se torna numa realidade...

Enfim.

Obrigada pelo elogio, tento sempre mais e melhor e... nem sempre isso é o suficiente.

Beijo

Pedrasnuas disse...

Será que percebi...a morte do outro...a outra parte de si mesmo...é isso? Dramático...

Adoro Adele!!!

Beijo

Demo Gra Pia disse...

Temos dias... e depois temos noites em que acordamos (como foi o caso) com uma ideia

quando deviamos ter ficado a dormire?

nã?

Me Hate disse...

Pedras... sim... que acaba por matar também, um pouco de nós... enfim, os meandros retorcidos da minha doentia mente... ;)

Também gosto de Adele, não é das minhas favoritas mas esta música (e esta letra) tinham tudo a ver com o texto por isso...

Beijo

Me Hate disse...

Demo... Também! Também.