domingo, dezembro 25, 2011

Feliz Natal

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.”



( Albert Camus )




Façamos do próximo ano tábua rasa por forma a que o que não alcançámos este ano seja conseguido no que está "à porta"!




Feliz Natal e Excelente Ano de 2012

segunda-feira, novembro 07, 2011

Good Morning Vietnam

Bora lá "chutar fora" esta crise!!!!!!!!!!!!!


quinta-feira, outubro 06, 2011

SUSHI



Hoje houve direito a sushi...


Mnham!!!!!

terça-feira, setembro 27, 2011

Memória



Não abandono o que uma vez conheci.

Não os abandono não por uma questão de teimosia o "situação" mal resolvida, não. Não os abandono porque lá coloquei parte da minha alma, escondida, em cada perfume, em cada objecto, em cada olhar.

Se for a Porto Fino, sinto uma obrigação de percorrer de pés nus a sua pequena praia de pescadores... se me encontrar no Mónaco não resisto a entrar na sua Igreja... se estiver em Lisboa tenho de me encontrar no Ninho...

Não ligo às coisas materiais. Na verdade a única coisa que possuo totalmente minha, é o meu carro, daí que talvez seja mais casa do que a minha própria habitação.



Há um nómada em mim que não permite que as coisas me possuam... pelo contrário, as pessoas vão-me possuindo, esgotando... e isso não é mau!

Não esqueço os passeios de barco a remos no Campo Grande com o meu pai, não esqueço os abraços da minha mãe na Gulbenkian, da mesma forma que não esqueço as idas à praia com os meus primos, o gosto da minha avó para se ir para a praia da Parede por causa do iodo e, claro, a vontade do meu avô para irmos para o Meco e podermos fazer um piquenique...

Em todos esses momentos, em todas estas pessoas, reside a minha alma, por isso, não os abandono. Não posso. Não quero.

Foram este tempos que me definiram... definiram por forma a que entenda a tristeza, a dor, até mesmo o desejo de suícidio mas, são eles que me fazem continuar a não acreditar na amargura, no orgulho, na estupidez humana...


Não me afasto porque em mim reside a memoria... mas apenas aquela que deve residir: a das coisas boas!

domingo, setembro 25, 2011

No more!!!!



Acabaram-se as lágrimas por quem não as merece!
Daqui para a frente: Rir!

terça-feira, setembro 13, 2011

Ethos, Pathos e Logos...



Ele há dias em que estes, graças a deus, não se encontram...

sábado, setembro 10, 2011

Fuga





Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos quando sonhamos que viajamos juntos num avião que se despenha e não apertamos as mãos um do outro com muita força?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se dormimos na mesma cama e os maus sonhos nos perseguem todas as noites?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se vivemos juntos e mal pomos o pé dentro de casa temos logo vontade de recuar?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jantamos juntos e a comida sabe mal e o vinho é amargo?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se prometemos partilhar e apenas proferimos palavras de circunstância?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se anunciámos um ao outro a alegria e não há risos nem música?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se trocámos os nossos corpos até se confundirem e agora não resta mais que a doença?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos escreveu as mais belas palavras de amor e hoje já nada tem para dizer?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se nos ofereceu protecção e abrigo e depois tingiu as paredes de mentira?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se lhe fizemos a dádiva do resto da nossa juventude e rapidamente nos deixou cair?

Quão distantes estamos de alguém que diz amar-nos se jurou que o nosso amor havia sido abençoado e os deuses nos esqueceram?

Muito. E fugimos.


A.M

domingo, agosto 28, 2011

Alive and... turning UP the volume!





É a mais pura das verdades...

Acordei,
mexia-me,
tenho um tecto,
algum dinheiro no bolso,
pais e uma boa família,
amigos
e uma "espécie de magazine" de trabalho.

Não me posso queixar.
Não devo.
Mesmo.

A vida prova-nos sempre, todas as manhãs que vale a pena,
vale muito a pena viver e conhecer pessoas novas.

Até já.

domingo, agosto 21, 2011

E se nem sequer há telepatia... que haja diálogo!



Telepatia


silêncio, calma


Feitiçaria da tua alma


Passo a passo, sem ter medo


Abrímos, soltámos o nosso segredo


E a sorrir, devorámos o mundo


Num abraço tão profundo


Telepatia, sem contratempo


Deixei-te um dia, num desalento


E eu sonhava, existia


P'ra sempre, p'ra sempre foi pura poesia


Sem pensar não vi que passavas


Pelo meu corpo não ficavas


Telepatia...


"Minha querida, eu soube sempre


Eu já sabia que te ia conhecer


Minha querida, era fatal


Fiz tanta força para isto acontecer


És tão bonita, meu amor


Não te queria perder"


Já sei, adivinho o que estás a pensar


Vim do outro lado do mar


Talvez um dia volte, não sei


Mas penso em ti, acredita


Adivinhei-te em segundos


Quando juramos eternidade"


E a sorrir, devorámos o mundo


Num abraço tão profundo


Telepatia, silêncio, calma


Feitiçaria da tua alma

sábado, agosto 20, 2011

O amor... dizem ...



Nicolas Sparks nunca fez parte das minhas leituras, não é um autor por quem nutra admiração ou sequer ache bom como escritor mas, nestes aspectos, teve toda a razão:


"So our love it's not gonna be easy. It's going to be really hard; we're gonna have to work at this everyday, but I want to do that because I want you. I want all of you, forever, everyday. You and me... everyday."


AND BESIDES THAT


"You are my best friend as well as my lover, and I do not know which side of you I enjoy the most. I treasure each side, just as I have treasured our life together."

Nicholas Sparks (The Notebook)

sexta-feira, agosto 19, 2011

Sail Away... de tudo!



E depois de muito a ouvir, o seu pai, pausadamente respondeu-lhe:


"Lema: cabeça levantada e nunca baixar os braços, mesmo quando as coisa não nos corram de feição."


Na realidade, as lágrimas não secaram perante a verdade incontornável, as saudades não definharam por tal lema nem o amor se tornou nota menor por saber que ele tinha razão...


Mas... pelo menos, nesse momento, quando o ouviu sorriu, levantou a cabeça e foi jantar.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Parar também é bom...



Tu mi fai girar



tu mi fai girar


come fossi una bambola


poi mi butti giùpoi mi butti giù


come fossi una bambola


Non ti accorgi quando piango


quando sono triste e stanca tu


pensi solo per te



No ragazzo no


No ragazzo no


del mio amore non ridere


non ci gioco più


quando giochi tu


sai far male da piangere


Da stasera la mia vita


nelle mani di un ragazzo no,


non la lascerò più



No ragazzo no


tu non mi metterai


tra le dieci bambole


che non ti piacciono più


oh no, oh no



Tu mi fai girar,


tu mi fai girar...


poi mi butti giù,


poi mi butti giù...

quarta-feira, agosto 17, 2011

Ou deixa...



Ne Me Quitte Pas

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas.

Moi je t'offrirai
Des perles du pluie
Venues de pays
Ou il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumiere
Je ferai un domaine
Ou l'amour sera roi
Ou l'amour sera loi
Ou tu seras reine
Ne me quitte pas.

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas.

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas.

Ne me quitte pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas.

terça-feira, agosto 16, 2011

Ou volta... de uma vez por todas! Para sempre!





Eu, cada vez que vi você chegar
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais
Mas novamente estúpido provei


Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão


Eu vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim


Eu, toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão


Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu


Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Piensa...





Si tienes un hondo penar, piensa en mí:


si tienes ganas de llorar, piensa en mí.


Ya ves que venero tu imagen divina,


tu párvula boca que siendo tan niña


me enseño a pecar.


Piensa en mí cuando sufras,


cuando llores


también piensa en mí,


cuando quieras


quitarme la vida,


no lo quiero para nada,


para nada mí sirve sín tí.


Piensa en mí cuando sufras, cuando llores,


también piensa en mí,


cuando quierasquitarme la vida,


no ma quiero para nada,


para nada me sirve sin tí.


Piensa en mí cuando sufras,


cuando llores también piensa en mí,


cuando quierasquitarme la vida,


para nada, para nada


me sirve sin tí.

terça-feira, agosto 09, 2011

Meu... fdp... mês de Agosto...





Se este mês me der mais alegrias juro que vou a Fátima...


Ando farta de trabalhar.


Cansada de tanto amor que me têm dado em fartura espantosa.


Fustigada com tanta vida que me rodeia.


Mas acima de tudo, maravilhada, com a quantidade de sol e mar... de gente que não me larga.


Ai... ai... que venha ele (o mês) para ficar!!!!!!!!

terça-feira, agosto 02, 2011

O outro



A justiça é sempre o outro.


A ideia retumbava-lhe no espírito amiúde.


Sabia que a felicidade era curta e que os momentos de choro que se seguiam eram sempre mais longos.


Nos últimos anos: demasiado longos. E as lágrimas, cada vez em menor numero eram sempre mais espessas, densas.


Os dias passavam frouxos. E o sol, redentor de toda a tristeza parecia ser apenas mais uma forma diaforética.


A justiça, pensou ela, é sempre o outro mas e outro surge porque o procuramos?


Não houve tempo para responder à pergunta: escancarou a boca, puxou o gatilho e no meio de tanto sangue já não havia tristeza, nem suor, nem lágrimas...

terça-feira, julho 26, 2011

Supe...nova... semi e coiso e tal



A quem me ensinou a gostar de poesia: mãe, pai... Muito obrigada!

Para vós, um clássico mas, dos melhores!


TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


Álvaro de Campos

domingo, julho 24, 2011

Quando morre um(a)... mulher!




Quanto Morre um Homem

Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"

segunda-feira, julho 18, 2011

Crush



Era uma vez...


Uma princesa muito feliz. Não tinha príncipe, não tinha filhos, não tinha reino, nem palácio.


Era alvo de inveja de muita "princejada" que estava casada e por isso, tinham de aturar sogros, aguentar birras de filhos, ter paciência de "Jó" para o marido, cuidar do reino e de todos os seus afazeres e, claro, ter o máximo de atenção ao palácio que exigia uma constante vigilância da criadagem e coisas quejandas acabadas em "gem".


"Porra!" - diziam elas quando feliz pela aldeia passava por elas a princesa feliz.


"Que tolas!" - dizia a princesa sempre que cruzavam olhares.


Não se entenda por isso que a princesa nunca tivesse vivido um grande amor.

Viveu!

Mas havia sempre uns dias em que o príncipe não queria trabalhar, outros em que apanhava umas belas "carraspanas" em que não podia trabalhar e, óbvio, uma ou oura mentirola que a princesa lá ia apanhando.


Começava a ficar cansada e certo dia disse-lhe "Ai homem, cansas-me a beleza! E eu ainda tenho muita "estrada" para percorrer! Olha o melhor é ANDOR!"


Pegando na vassoura lá lhe deu duas traulitadas e ele lá se foi. Não sem antes fazer queixa ao alcaide da aldeia que a princesa lhe havia infligido violência doméstica mas, o alcaide, conhecendo bem o "mister" recomendou: "Oh pá ainda foram foi poucas!".


Durante uns tempos, a princesa andou a "bater mal"... estava habituada ao cheiro da aguardente Rochedo pela manhã e do gin Hendricks à noite... tinha acima de tudo saudades, das leituras que faziam nas tardes calmas, dos manjares gourmet que ele lhe preparava com carinho, dos cuidados constantes que tinha sempre que a sentia um pouco mais triste, das viagens, mundos e povos que conheceram e partilharam... Nesses dias: eram Mundo!


Mas a decisão estava tomada e, naquela altura, ainda não existiam os Alcoólicos Anónimos, só mesmo as mesmas tabernas de hoje!

sábado, julho 02, 2011

Há um destino comum...




Sobre o Caminho


Nada


nem o branco fogo do trigo


nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros


te dirão a palavra


Não interrogues


não perguntes


entre a razão e a turbulência da neve


não há diferença


Não colecciones dejectos o teu destino és tu


Despe-te não há outro caminho



Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água"

segunda-feira, junho 20, 2011

How...



Nem sempre sabemos como...

Mas a procura pelo mais é sempre: maior... E nessa senda... podemos alcançar muito... além de nós, e isso É muito bom!

segunda-feira, junho 06, 2011

Construir






Fazer a planta...


Limpar o terreno...


Construir as fundações...


Começar a erguer os muros...


A vida não é simples mas, é na sua complexidade que os meus muros e a minha casa se vai erguendo...


Devagar!

quinta-feira, maio 26, 2011

And if you just lay there... away...



Away...
Far...
Away from me...
But, must important, far away, from me...

Do you really think we could BE?

segunda-feira, maio 09, 2011

The further I travel, the less I know...





Amar é uma viagem.

Por vezes cansa.

Nem sempre nos apetece fazer.

Amar é um percurso.

Que nem sempre é fácil.

Há pedras, ervas daninhas e por vezes, areias movediças.


Amar é sempre uma viagem.

E viajar é conhecer.

Saborear.

Descobrir.

E viajar pode ser duro mas, quando regressamos a casa é sempre um crescimento.

terça-feira, abril 05, 2011

Parole...


MINA & Alberto Lupo Parole parole 1972

E eu que sempre achei que as palavras não eram mais do que isso sinto-me na graça de que, por vezes, as palavras São mesmo mais do que isso... São o acto! São a sua continuidade... como deveriam ser... SEMPRE!

quinta-feira, março 03, 2011

TER e SER



Tenho-te em mim, nesta paz que transporto hoje, comigo... que desejo perpétua!

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A vida...



O nosso corpo É uma máquina.
O nosso corpo tem 206 ossos... quando partimos um todo o sistema trabalha para que volte a estar apto.
Temos milhões de células que (à excepção dos neurónios) são constantemente renovadas para funcionarmos o melhor possível quando algo sucede.
Regeneramos, perdemos, regeneramos... neste tempo todo, mesmo quando dormimos o nosso corpo: TRABALHA.
Todos os dias, sem tirar folga, sem pedir férias, sem se queixar, sem fazer greve.
Todos os dias acorda com uma força anímica que nos pede, de corpo e ALMA apenas uma coisa: SÊ FELIZ!
E frequentemente, nós falhamos na única e mais absoluta coisa que o nosso corpo nos pede.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Fim de mais um princípio...



No Fim


No fim de tudo dormir.

No fim de quê?

No fim do que tudo parece ser...

Este pequeno universo provinciano entre os astros,

Esta aldeola do espaço,

E não só do espaço visível, mas até do espaço total.

Álvaro de Campos

segunda-feira, janeiro 24, 2011

A Sad song para tanta Tristeza...


Au Revoir Simone - Sad Song


Quanta Tristeza e Amargura


Quanta tristeza e amargura afoga

Em confusão a 'streita vida!

Quanto Infortúnio mesquinho

Nos oprime supremo!

Feliz ou o bruto que nos verdes campos

Pasce, para si mesmo anônimo, e entra

Na morte como em casa;

Ou o sábio que, perdido

Na ciência, a fútil vida austera eleva

Além da nossa, como o fumo que ergue

Braços que se desfazem

A um céu inexistente.

Ricardo Reis

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Incoerente... como eu!



Recordação


E tu esperas, aguardas a única coisa

que aumentaria infinitamente a tua vida;

o poderoso, o extraordinário,

o despertar das pedras,

os abismos com que te deparas.

Nas estantes brilham

os volumes em castanho e ouro;

e tu pensas em países viajados,

em quadros, nas vestes

de mulheres encontradas e já perdidas.

E então de súbito sabes: era isso.

Ergues-te e diante de ti estão

angústia e forma e oração

de certo ano que passou.

Rainer Maria Rilke

segunda-feira, janeiro 10, 2011

O amor, como a vida, É simples...



Sou uma pessoa de complexidades simples...
Ultimamente, a vida tem-me "roubado" o pouco tempo que tinha para por aqui passar e para "navegar" neste tipo de situações menos sensitivas.
Confesso-me uma cada vez maior cidadã do Mundo mas, que anseia e, quer, cada vez mais sentir o pulsar desse Mundo.
A vida, a minha, não passa por aqui mas há coisas, que gosto de partilhar convosco... Fica aqui uma.
Até breve.