segunda-feira, setembro 27, 2010

Musica e Poesia



Acaso

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Álvaro de Campos

domingo, setembro 26, 2010

Estudo de um dia V



O dia foi acabando como começou: comigo a tirar fotos a gente, a coisas, a situações...


sábado, setembro 25, 2010

Estudo de um dia IV


O dia foi completo: com direito a feira e tudo...

sexta-feira, setembro 24, 2010

Estudo de um dia III


E com uma relvinha por perto um piquenique veio mesmo a calhar...

quarta-feira, setembro 22, 2010

Estudo de um dia II


Após longo passeio um refrescante mergulho pedia-se...

terça-feira, setembro 21, 2010

Estudo de um dia


O dia começou com o alvoroço desmedido da transgressão permitida: a Marginal aberta ao pedestre que se quisesse aventurar...

segunda-feira, setembro 20, 2010

Musica e poesia.



Prazeres


O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.


Bertold Brecht.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Fotografia



A Luz é sempre mais apreciada depois depois da escuridão. Os meandros da alma e das acções não são contudo, sempre claros.



quinta-feira, setembro 16, 2010

Sugestões


Dos anos em que vivo... no sitio onde vivo... guardo recordações imensas: as pessoas da rua, o mercado do bairro, a frutaria no fim da rua, o café ao lado de casa, o cheiro que vem do Laboratorio quando chove ligeiramente e a terra fica húmida, das árvores -algumas únicas no país- que se encontram no Parque de saúde, dos aviões a razoarem as nossas cabeças...

Portanto foi com muito orgulho que participei ontem, na inauguração de mais uma exposição que fica patente até Outubro no Parque de saúde do Júlio de Matos em Lisboa.

Bem sei as piadolas que já devem pairar essas mentes... mas olhem tanto pior!

O Parque é efectivamente isso: um Parque, enorme e vibrante, com pessoas a sério e que, na esmagadora parte dos casos não se revelam como doentes mentais... Aliás, é ali que verifico a quantidade de gente sã e "inasana" que se cruzam nas nossas vidas sem que, fora daquele contexto, nos apercebamos disso. É também ali que faço muitos dos meus passeios de encontro com a natureza em plena cidade.

Gosto do meu bairro pela sua peculariedade mas, acima de tudo, pela sua insana beleza... Daí que não será de admirar que a sugestão para este fim-de-semana seja a visita a este Parque e, se puderem, à exposição.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No net? No stress!


Aqui o She, tem andado com os já conhecidos problemas de acesso "nético", os diversos "mambojambos" de computadores, os "azucrinqamento" naturais de viroses intempestivas, as sobejamente "arreliantes" confusões matriarcais-filhiais e, claro, as "esquizotermices" próprias de um feitio da treta que aqui a ME HATE tem...

O que vale é que, no meio de tão mau feitio, eu não "stresso"... pelo menos, não com a net...assim: se não vai mais depressa, vai mais devagar...

Peço, não obstante, a vossa paciência e compreensão... Bem sei: duas qualidades difíceis de acharmos em nós -e no outro- nos dias que correm... ainda assim, voltem sempre porque eu, certamente voltarei em breve...

terça-feira, setembro 14, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Ainda maravilhada com Cohen...

Aqui no She, temos agrado especial de falar bem de Portugal. Frequentemente o português repara nos defeitos, no que é, sem de dar conta das qualidades, do que poderá vir a ser.
Olhamos demasiadas vezes para os nossos pés, poucas para o horizonte... não sei temos vistas custas, se padecemos mesmo de uma grave miopia... O She é um blogue míope mas, tem nele todos os "sonhos do mundo"...

Hoje convido-vos a verem esse mundo... Visitem: O mais
(inter)Nacional dos hotéis portugueses... podendo: aluguem um quarto... Afinal Portugal também tem coisas boas...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Musica e Poesia...



Memória



I

Na cristalina, líquida presença,

crescente lua no abismo enquanto

o mar se cala, desconheço a margem

onde me espera no desejo

esguio do poente a deusa branca...

À ínfima visão dum lírio encosto

o meu soluço! O espaço é grande...

Não invoco o lugar mas a verdade

surge aquém da espera...

Gaivotas sussurrantes, deixo a música

morrer, pegadas frescas, desperdícios

quentes na relva da minha alma...



II

Quando se oculta julgando a noite

indefesa enorme, a fugidia

estrela me ilumina e desce!

Vem até mim, quebrada a natural

cadência do seu mundo, e cresce... cresce...

Tentáculos de luz me envolvem. Comovido,

aperto em minhas mãos o elanguescente

ardor do seu chegar...



III

Reconquisto agora o teu rosto, um horizonte,

silêncio de grito suspenso, labirinto,

mais desfeito

no hálito das nuvens...

Me surges tão sem ti

que envolve o dia a espessura deste longe...

E afogo assim na íntima, na única

beleza do teu rasto,

o meu soluço de água...



António Salvado

sexta-feira, setembro 10, 2010

Fotografia


Volto. Quando o mar insistir.

E hoje deixo-vos com os islandeses Sigur Rós -Rosa da Vitória- e o seu Hafssól -Marsol- do album de 1997, o primeiro de muitos que depois ouvi.



quinta-feira, setembro 09, 2010

Sugestões...


Lisboa ainda fervilha de actividades ao ar livre e ainda respeita cultura... Precisamos de a procurar e por vezes de estarmos mais atentos... Exemplo? A Gulbenkian tem todos os fins-de-semana exposições gratuitas... Porque não ver uma e de farnel fazer um piquenique à boa maneira portuguesa nos extensos jardins que se apresentam????

Se não que tal o:
Lisbon Unplugged - O Festival desligado de preconceitos. Entre os dias 10 e 11 de Setembro.

A Tapada da Ajuda recebe o 1º Festival Desligado de Preconceitos – Lisbon Unplugged. Música, arte e entretenimento são os ingredientes do evento que procura também promover a responsabilidade social e a sustentabilidade ambiental. Neste sentido o festival oferece ao público várias soluções ecológicas que permitem aproveitar da melhor forma o espaço e a natureza envolvente.

Várias áreas - Pavilhão das Artes, Palco Diversidades e Tenda Electrónica – oferecem aos visitantes diversas actividades e espectáculos. O programa inclui dança, teatro, perfinst (performance + instalação), grafitti, vídeo e muita música. Do cartaz destacam-se grupos estrangeiros como Au Revoir Simone, Jay-Jay Johanson e The Vails, assim como os portugueses David Fonseca e Rita Redshoes. Um festival que conta com todos aqueles que têm uma “mente aberta”. Ou pelo menos daqueles que gostam dos Au Revoir Simone...

Quem é o primeiro a dizer: Quero ir!

quarta-feira, setembro 08, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei.


Vocês alguma vez viram um tigre ou um lobo da Tasmânia????

Não? É natural... Ele existiu mas, como tantas coisas na vida diária... foi extinto.

O tilacino (Thylacinus cynocephalus), mais conhecido por lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia, foi o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos. Nativo da Austrália e Nova Guiné, acredita-se que se tornou extinto no século XX. Foi o último membro do seu género, Thylacinus, ainda que diversas espécies relacionadas tenham sido encontradas em registos fósseis datados do inicio do Mioceno. Portanto o Tilacino sobrevive 23 milhões de anos para morrer desgraçadamente nas mãos humanas... Onde é que eu já li isto?????

Os tilacinos foram extintos da Austrália continental milhares de anos antes da colonização europeia do continente, mas sobreviveram na ilha da Tasmânia junto com diversas espécies endémicas, incluindo o famigerado e muito conhecido: diabo-da-tasmânia.

A caça intensiva encorajada por recompensas e o facto de serem considerados uma ameaça aos rebanhos, são dadas como factores decisivos para a sua extinção, factores que em nada surpreendem dado que, a maioria das espécies tem sido extinta acima de tudo, por estes factores. Contudo, outros factores que também contribuíram estão relacionados com outras situações que vão desde as doenças típicas da espécie, à introdução de cães, "dingos" e à ocupação, cada vez mais extensa, dos humanos no seu habitat.

O último registo visual conhecido ocorreu em 1932 e o último exemplar morreu no Zoológico de Hobart em 7 de Setembro de 1936. Apesar de ser oficialmente classificado como extinto, relatos de encontros com alguns espécies, ainda são reportados... Um pouco à luz do "rapaz" que percorre a profundezas do Lockness...

Como os tigres e lobos do hemisfério norte, dos quais herdou dois dos seus nomes comuns, o tilacino era um predador-alfa da cadeia alimentar. Como marsupial, não era relacionado a estes mamíferos placentários, mas sim devido à convergência evolutiva, o tilicino demonstrava as mesmas formas gerais e adaptações. O seu parente mais próximo é de facto o diabo-da-Tasmânia.

O tilacino era um dos dois únicos marsupiais a terem um marsúpio em ambos os sexos (o outro é a cuíca-d'água). O macho tinha uma bolsa que agia como um revestimento protector, protegendo os órgãos externos do animal enquanto este corria através da mata fechada.

Nesta pequena incursão no mundo da extinção que hoje vos apresento aqui, deseja-se algum "acordar espiritual" e ecológico da nossa parte para que este exemplo não volte a ser repetido...

O "SHE" também é um blog ecológico e preocupado com o mundo e os animais... Afinal, os animais são nossos amigos e, sem o nosso planeta e o que eles nos oferece, a nossa sobrevivência não seria possível.

terça-feira, setembro 07, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


O castelo de S. Jorge sempre foi uma fonte de inspiração para muitos lisboetas, inclusive eu. For certamente palco de muitas brincadeiras de miúdos, de muito namoro adolescente e é, sempre, miradouro principal da cidade mesmo havendo outros, em locais mais recondidos, que sejam melhores para essa observação peculiar.

É portanto com contentamento e surpresa que começa agora a ser revelada a musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo, que já começou em 2008 mas até ao momento não se via.

É do conhecimento público que em 1996 teve início nesse local uma extensa campanha arqueológica que pôs a descoberto vestígios de diferentes momentos da sua ocupação. Removidos e protegidos os objectos aí encontrados (presentemente expostos no Núcleo Museológico do Castelo de S. Jorge).

Agora é pedida a protecção e musealização de três áreas distintas, dispersas por entre a topografia do campo arqueológico: um conjunto de estruturas habitacionais da Idade do Ferro, os restos das paredes e pavimentos de duas casas do período de ocupação muçulmana e uma superfície pavimentada de um palácio do século XV. A descrição e a informação serão também mais detalhadas.

A Praça Nova localiza-se num promontório na extremidade nascente do Castelo de S. Jorge, ladeada a norte pelas muralhas e a sul pela Igreja de Santa Cruz. A nascente abre-se numa relação de dominância visual sobre a cidade e o rio.

À semelhança do "campo operatório" das cirurgias (uma abertura no selo anti-microbiano, destinada a ser posicionada em torno do local da operação), procurou-se em primeiro lugar estabelecer com rigor o limite da área das escavações.
Como explica Carrilho da Graça: "Um conjunto de muros de contenção revestidos a aço corten definem todo o perímetro da área de escavações, demarcando com precisão o "campo" e aprisionando no seu interior, a uma cota mais baixa, as escavações e as ruínas postas a descoberto."

Assim, a ver se temos em breve o Castelo de S. Jorge de volta para os lisboetas e também para os restantes. Lembrem-se: lisboeta não paga. É de aproveitar mas não se esqueçam de levar o B.I ou o Cartão de cidadão para comprovarem a vossa "lisboetisse" se não...

segunda-feira, setembro 06, 2010

Musica e poesia...



Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida


Pergunto-te onde se acha a minha vida.

Em que dia fui eu. Que hora existiu formada

de uma verdade minha bem possuída.

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida

por esperanças hereditárias? E de cada

pergunta minha vai nascendo a sombra imensa

que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença

de ti, de mim, da coisa perguntada,

do silêncio da coisa irrespondida.

Cecília Meireles

sexta-feira, setembro 03, 2010

Fotografia

Começa hoje, um novo tema de fotografia, em que irei colocando algumas fotos tiradas por mim seguidas de um pequeno texto introdutório... pode ou não (como acontece hoje) vir acompanhada de música que é para começar e acabar a semana em musica...

A ideia é depois, comentarem o que a mesma pode representar para vós... Espero que gostem.




As muralhas que erguemos na relação com o outro seriam pedras mais úteis se delas fizéssemos pilares das nossas acções e humanidade.

Uma boa banda sonora para esta foto: Aznavour.


quinta-feira, setembro 02, 2010

Sugestões...


Termina este fim de semana (dia 5 de Setembro) mais um Salão de Arte em Paço de Arcos (no jardim da parte antiga de Paço de Arcos). Vale a pena irem ver... Ao contrário do que possam pensar, não são só quadros expostos, há também fotografia, joalharia - e já houve, este ano noutro espaço, escultura - um descobrir de outra dimensão e descrição sobre a arte. Apareçam e divirtam-se.


Se a opção for ficar por Lisboa, termina dia 04 o Cabaret Performativo no Chapitô...

Ora eu que passo a vida a dizer que devemos aproveitar a nossa cidade e aquilo que ela tem para nos oferecer, faço das palavras acções e deixo aqui uma missiva: IDE!

Este Cabaret resulta do encontro de ex-alunos da EPAOE - Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo do Chapitô - que apresentam um cabaret misturado, mestiçado, individual e colectivo.

Informações Úteis:
Esplanada do Chapitô
Duração: 1h45m
Endereço: Costa do Castelo, 1/71149-079 Lisboa
Telefone: 218 855 550
Internet: www.chapito.org

quarta-feira, setembro 01, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...


Morreu num dia como o de hoje Kujō Yoritsune (九条 頼経, Kujō Yoritsune - 12 de Fevereiro de 1218 - 1 de Setembro de 1256) foi o quarto shogun do shogunat Kamakura do Japão; governou entre 1226 a 1244. O seu pai foi o kanpaku Kujō Michiie e a sua via era soberana do primeiro shogun Minamoto não Yoritomo.

Também era conhecido como Fujiwara não Yoritsune, pertencia à família Kujō, um dos cinco ramos do poderoso clã de Fujiwara.

Converteu-se em shogun aos sete anos de idade mas os regentes do shogunat Hōjō Yoshitoki e Hōjō Masako eram quem controlavam o shogun, numa tentativa de o converter num dirigente fantoche.

Sob a pressão do clã Hōjō, este teve de ceder a posição de shogun ao seu filho Kujō Yoritsugu, já que tinha demasiada idade para ser controlado. Depois converteu-se em monge budista.

Uma coisa maravilhosa da net: faz-nos procurar coisas das quais nunca ouvimos falar... E perguntam então vocês:

O que é um Shogun?
O termo shogun (将军, significa literalmente «Comandante do exército»), era uma patente militar e um título histórico concedido directamente pelo Imperador.

E o que é o Shogunat Kamakura?
Ao longo da história do Japão existiram três shogunatse, o primeiro estabeleceu-se o 1192 por Minamoto não Yoritomo, conhecido como shogunat Kamakura. Esta governação só foi controlada por três membros do clã Minamoto, já que o poder foi usurpado pelo clã Hōjō, que sob o título de regente nomeavam shoguns fantoches.

E o que é um budista?
Ui, isso era uma conversa que demoraria muito, mas muito mais tempo do que uma simples descrição.