segunda-feira, agosto 09, 2010

Musica, poesia...





Qualquer Coisa de Paz


Qualquer coisa de paz.
Talvez somente

a maneira de a luz a concentrar

no volume, que a deixa, inteira, assente

na gravidade interior de estar.

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,

uma ausência de si, quase lunar,

que iluminasse o peso. E a corrente

de estar por dentro do peso a gravitar.


Ou planalto de vento. Milenária

semeadura de meditação

expondo à intempérie a sua área


de esquecimento. Aonde a solidão,

a pesar sobre si, quase que arruína

a luz da fronte onde a atenção domina.


Fernando Echevarría, in "Figuras"

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