terça-feira, agosto 31, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Juntando dois mundos que muito respeito, escrevo-vos hoje sobre Fernando Guerra. Guerra é fotógrafo de arquitectura. A sua formação, porém, é de arquitecto. O seu olhar divide-se entre dois modos distintos de construir o mundo. Por esta circunstância, ele encontra-se numa posição privilegiada para protagonizar a metamorfose do campo fotográfico que fará com que esta prática de criação de imagens se venha a identificar, em parte, com o próprio campo arquitectónico.

Como prova do seu génio, temos a Casa Baltazar: sendo irónico que uma casa minúscula como a Casa Baltasar tenha tido uma projecção mediática tão proeminente, a imagem que teve o dom de projectar esta arquitectura menor para essa enorme visibilidade foi descoberta por Fernando Guerra aquando da sua fotografia.

O potencial estava lá, é certo, e não devemos minorar a beleza "arquitéctonica liliputiana" da própria mas foi o olhar de Guerra que, entre outras imagens já antevistas, fixou em definitivo a espacialidade peculiar de um determinado ponto de vista. portanto, o gosto pelo trabalho do Fernando estende-se à sua peculiar atenção ao pormenor.

A sua obra fotográfica tornou-se expressiva de um potencial ainda inaudito na curta história da autonomia deste novo campo: a cartografia do seu arquivo tornou-se indistinguível da realidade da arquitectura portuguesa a que, naturalmente, todos os arquitectos portugueses aspiram pertencer.Independentemente da sua própria vontade, Fernando Guerra tornou-se o fazedor do império... Procurem este imperador da fotografia, e certamente a vossas esxpectativas não irão sair goradas.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Musica e poesia...



Feliz Só Será

Feliz só será
A alma que amar.

'Star alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.

Johann Wolfgang von Goethe

quinta-feira, agosto 26, 2010

Sugestões...


Para quem gosta de romance histórico, como género literário, este "A última Estação", parece o resolução das nossas "preces", escrito com múltiplos narradores, esta Estação parece não ter fim... e ainda bem.

Recriando o derradeiro ano de vida de Tolstói e, baseado nos diários daqueles que com ele privaram nesse período: Sófia Andréevna (esposa), Vladimir Tchertkov (amigo, conselheiro e editor), Sacha (filha), Duchan Makovítski (médico pessoal) e Valentim Bulgákov (jovem secretário).

O autor de Guerra e Paz e Anna Karenina, retirado, segundo o livro, na casa de campo de Iássnaia Poliána, aspira à paz de espírito e ao despojamento cristão mas vê-se envolvido na intriga e no confronto entre a mulher e o editor, ambos interessados nos direitos de autor dos seus escritos.

O livro foi considerado por Gore Vidal “um dos melhores romances históricos dos últimos 20 anos”, e eu, que respeito muito a pessoa de Vidal, não lhe acrescento mais nenhum atributo... Desfrutem...

quarta-feira, agosto 25, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...




Faz hoje precisamente 9 anos que morreu a cantora Aaliyah. Não costumamos aqui no She dar "noticia" de mortes tão recentes mas, há 9 anos eu fui muito feliz e, gostava de ouvir esta cantora de R&B. Acima de tudo, adorava a sonoridade e a mensagem da musica que aqui vos deixo.


Aaliyah foi precoce em tudo: com apenas quinze anos já tinha lançado o seu primeiro álbum, muito apropriadamente chamado Age Ain't Nothing But a Number (1994), e dois singles com considerável êxito (ambos no Top 10 norte-americano): Back and Forth e At Your Best (You Are Love), este último um cover dos Isley Brothers. O seu álbum de estreia tranformou-se num disco multi-platina e a cantora iniciou uma tourné que passou, para além dos EUA, pela Europa, Japão e África do Sul. Mas no final desse ano, a imprensa estava mais interessada na controvérsia gerada com o seu casamento (dada a sua tenra idade) com o seu produtor R. Kelly (com 27 anos).

Em 1996, surge o segundo álbum One in a Million, tendo colaborações na produção de estrelas em ascendência, como Timbaland e Missy "Misdemeneanor" Elliot. O disco vende dois milhões de cópias. Com canções como One in a Million e If Your Girl Only Knew que atinge o topo da Billboard Hot 100 R&B, aparições em videoclipes de artistas já consagrados como The Notoriuos B.I.G, Aaliyah apontava a direcção a seguir pelo hip-hop minimalista do final dos anos 90. Mais um sucesso.

No final da década, irrompeu na indústria cinematográfica, com o filme Romeo Must Die (2000), de Andrzej Bartkowiak com Jet Li, em que interpretava a personagem Trish O'Day. Interpretou ainda a diabólica Queen Akasha no filme Queen of the Damned (somente lançado em 2002), baseado no livro homónimo de Anne Rice, e assinou um contrato para aparecer nas duas sequências de The Matrix, que obviamente, não chegou a concretizar.

Um mês depois da saída do seu terceiro álbum, simplesmente intitulado Aaliyah (2001), faleceu num acidente de avião privado, ao retornar da filmagem do vídeo Rock the Boat nas Bahamas.

terça-feira, agosto 24, 2010

Arquitectura, Design, Arte


Ainda em tempos de nostalgia, descobri recentemente que o Convento de Santa Clara (em Coimbra) está em recuperação...

O conhecido atelier15, depois da conservação e restauro dos elementos descobertos e a descoberto, libertaram o espaço da Igreja de todos os elementos espúrios que prejudicavam a leitura do seu espaço e, ainda, tornaram mais confortável o pavimento nas áreas em que se encontrava perdida a sua integridade.

Agora, o edifício do museu funciona como uma espécie de remate sul da área da cerca. Estando implantado paralelamente à Igreja de Santa Clara, ocupando, na sua quase totalidade, a largura do terreno, temos agora uma uma vasta panorâmica que abarca Santa Clara-a-Nova até à colina da Alta de Coimbra, passando pela zona monumental. Belíssimo portanto, e que aconselho vivamente.
Se depois puderem, passem pela Bairrada e já sabem, comam leitão... está muito bom!!!!!!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Musica, poesia...



Poeminha de Insatisfação Absoluta

O que me dói
É que quando está tudo acabado
Pronto pronto
Não há nada acabado
Nem pronto pronto
Pintou-me a casa toda
Está tudo limpado
O armário fechado
A roupa arrumada
Tudo belo, perfeito.
E no mesmo instante
Em que aperfeiçoamos a perfeição
Uma lasca diminuta, ténue, microscópica,
Não sei onde,
Está começando
Na pintura da casa
E as traças, não sei onde,
Estão batendo asas
E a poeira, em geral, está caindo invisível,
E a ferrugem está comendo não sei quê
E não há jeito de parar.

Millôr Fernandes

sexta-feira, agosto 20, 2010

Fim de um ciclo


Caros amigos, colegas e conhecidos:

O meu avô faleceu ontem ao fim da tarde.

Peço a vossa compreensão para o meu silêncio nos próximos dias. Os post`s, dado que iria de férias, já estão previamente agendados e portanto, se puderem apareçam.

Obrigada.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Sugestões...


Amanhã parte-se em direcção a Idanha à Nova (perto de Castelo Branco)... A 8ª edição do Boom Festival está aí e não podemos esquecer que a próxima é só daqui a 2 anos... Aproveitem portanto, o Boom, mas também a bela terra que é Idanha depois do Festival... Para quem quer termas vá até Monfortinho que têm fama desde o tempo dos romanos. Bacteriologicamente puras, hipomineralizadas e hipotermais, são particularmente indicados para doenças da pele, doenças do fígado, colites e doenças crónicas do foro ginecológico.

Para quem preferir caminhadas dedique-se aos esteios do mundo rural e às boas fotos e tente qualquer um destes percursos... ou todos:

Proença-a-Velha Penha Garcia
Ladoeiro
Salvaterra do Extremo
Zebreira
Segura
S. Miguel D'Acha
Rosmaninhal
Aldeia de Santa Margarida.

Valem a pena pelas igrejas, a arte manuelina e a produção artesanal do azeite... ah, claro e as suas gentes...


Para quem goste mais das sentinelas da raia e queira outro tipo de aventura e (também fotos), pode e deve passar por qualquer um destes sítios:

Penha Garcia
Salvaterra do Extremo
Segura
Rosmaninhal.

Valem pela beleza da paisagem e achados gastronómicos... ah, e também as gentes.

Numa terra só, temos paz e diversão... Estas férias foram planeadas mas, se não fossem não seriam a mesma coisa... Daí que vos deixe com apenas uma sugestão mas, que abarca um mundo.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...


Ora para a maioria das mulheres Balzaquianas - como é o meu caso - Balzac é uma referência.

Tendo morrido no ano de 1950 neste dia, deixou-nos vasta obra que, se estende da ficção à não-ficção, da poesia ao teatro. Filho de Bernard François Balssa, administrador do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Tours, e de Anna Charlotte Sallambier, Honoré de Balzac foi o primeiro de três crianças (Laure, Laurence e Henry). Laure era, de longe, a sua favorita. Estudou em Vendôme até 1814, quando o pai, Bernard François, foi nomeado director da Primeira Divisão militar em Paris e a família se instalou na rua do Templo, no Le Marais, bairro de origem da família.

Em 04 de Novembro de 1816, começa o curso de direito e obtém o diploma de bacharel três anos mais tarde. Ao mesmo tempo, tem aulas particulares teóricas na Sorbonne. Passou este período na casa do procurador Jean-Baptiste Guillonnet-Merville, um amigo da família e amante das letras, para quem trabalhou. Também teve estágio profissional com o tabelião Passez.

Desde cedo, apercebe-se que a sua realização não passa pelo direito mas sim, pela escrita. Não é de estranhar portanto que em 1917 já tivesse escrito o seu primeiro livro. Para além das suas obras os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários - escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de chávenas de café. Com uma produção volumosa, é frequente que se apontem pequenas imperfeições em sua obra - o que, no entanto, não é suficiente para retirar de muitas delas o epíteto de obras-primas.

Para além da "Mulher de 30 anos", Balzac escreveu a "Comédia humana" que, confesso, já comecei por ler duas vezes mas nunca terminei, não admira, se tivermos em conta que esta reúne oitenta e oito obras, e procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.

Para não gastarem dinheiro "à toa" e poderem formar a vossa opinião, a obra de Balzac encontra-se em domínio público e um razoável número delas está disponível digitalmente através do Projecto Gutenberg, que se encontra, como tantas outras coisas, aqui no lado direito deste blog.

terça-feira, agosto 17, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Hoje em vez de falar acerca de uma qualquer obra, ou de algum tipo de construção, deixo-vos com um livro que trata, precisamente este assunto de forma sublime... Para quem goste está aí o "Novos princípios do Urbanismo e Novos compromissos Urbanos" de François Ascher (Livros Horizonte).

No livro, o autor explica que as novas cidades as "metapólis, são flexiexistencialistas, absorventes, indiferentes". De facto, olhando para o dia a dia de uma cidade (a nossa) e das pessoas que a habitam, parece haver um "divórcio" entre estes dois, o aumento da comunicação e da mobilidade parece fazer com que a cidade não seja vivida e sim, apenas habitada.

A relação com a cidade, não sei se concordam, mas parece ser uma extensão da relação que estabelecemos com o outro: de inconsequência, de ausência... Acima de tudo de inexistência de uma relação do indivíduo com o palco da sua vida, enclausurado em escritórios e automóveis e redes sociais, indiferente à chuva, à lua e à praça, ao horizonte e ao por-do-sol. Esta questão não é apenas uma constatação de "velho do Restelo" que se quer parado no tempo. Compreendo que o futuro esteja aí e que temos de nos adaptar mas, a que custo?

Ainda este domingo, em fim de tarde prazenteiro, passeando na zona do Castelo, percebi que o afastamento entre a cidade histórica e a cidade funcional provoca a mudança de escala, acessibilidade e fruição. Os turistas, acima de tudo no caso português, que cada vez está mais "virado" para o turismo, eram de facto os principais fruidores da cidade consolidada e cristalizada. O português passava pela sua cidade como dado adquirido...

O problema coloca-se porque, nestes dias, a ordem capitalista da sociedade já promove a depressão mas, este tipo de nova cidade conduz, inevitavelmente à dispersão e à depressão agravada. Nenhum cidadão pressente numa atitude adulta, que uma cidade à sua dimensão se faça num contínuo deslocar por cápsulas encerradas, híbridas e anónimas mas, na realidade é assim.

Assim, estes novos compromissos urbanos na terceira idade das cidades, pressupõem um novo atractivo que é a a própria atractividade de capitais, de bens e de homens, de um marketing politico e económico, em cidades imageticamente estranhas e informes - pensem nos exemplos mais gritantes do Dubai e da nossa já falada Xangai - são de facto sistemas complexos emergentes, ausentes mas, pulsantes.

O nosso mundo Ocidental não as entende bem, eu não as entendo bem. E não poucas vezes, dou por mim espantada, porque não as desejo verdadeiramente pior, sou muitas vezes criticada por não querer este tipo de cidades e este tipo de vivência.

Estas novas cidades parecem ter as nossas premissas, os nossos valores, a nossa identidade enquanto povo e até, os nossos sentimentos mas, no fundo, não passam de uma cópia, ampliada e adaptada do que é "suposto gostar-se", a uniformização pela uniformização, sem futuro, sem história.

Gosto dos nossos (e dos outros) centros históricos que são elegantes, monumentais e sumptuosos, mas que acima de tudo: envelhecem. O neo-urbanismo vinga agora mas, infelizmente, como muitas outras coisas na minha vida: não é para mim.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Musica, poesia...



Silêncio, Nostalgia...



Silêncio, nostalgia...

Hora morta, desfolhada,

sem dor, sem alegria,

pelo tempo abandonada.


Luz de Outono, fria, fria...

Hora inútil e sombria

de abandono.

Não sei se é tédio, sono,

silêncio ou nostalgia.


Interminável dia

de indizíveis cansaços,

de funda melancolia.

Sem rumo para os meus passos,

para que servem meus braços,

nesta hora fria, fria?


Fernanda de Castro

sexta-feira, agosto 13, 2010

Definições


No dia da semana e do mês em que estamos, esta já era de esperar...

Superstição:
Movimento neo-intelectual-estúpido que começou há muitos anos com danças de chuva e está hoje nas pulseiras de equilíbrio.

Uma excelente sexta-feira 13, com ou sem Jason, e um óptimo bom fim-de-semana.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Dissertações 5


Bipolar é aquela pessoa que se move entre dois pólos diferentes. Tem normalmente as "baterias" numa desgraça e quando tentamos carregá-las... dá faísca!

Sugestões...


Para bom "googler" certamente já se aperceberam que faz 71 anos que o filme "O Feiticeiro de Oz" teve sua pré-estréia. Mais propriamente no dia 12 de Agosto de 1939, tendo entrado definitivamente em cartaz a 25 de Agosto do mesmo ano.
Ora, para quem quiser um regresso ao passado, aconselho, a revisão do filme que, foi o primeiro a ser alugado em minha casa nas já idas cassetes de VHS (tinham terminado com as Beta há coisa de meio ano), num já inexistente Clube de vídeo aqui do bairro.

Não sou de regressos ao passado no que diz respeito à televisão. Adorei o Verão Azul mas indubitávelmente se voltasse a ver a série toda a mística se perderia... Ele há séries que devem ficar nas suas gavetas: arrumadas, catalogadas, fechadas. Ele há séries...

E depois ele há músicas...

Bem antes do gosto cinematográfica ter ganho espaço na alma, a minha, já estava plena de música. Aliás, como diria John Miles "music was my first love" e, como tal, desde sempre "alimentei" esse gosto, em compras, procura e partilhas...
Não devem por isso estranhar que hoje as sugestões sejam todas musicais...


Já não vão a tempo de ver os Gotan que estiveram cá por duas vezes, só este ano - uma no Coliseu, outra no Festival de Oeiras... Pena porque foi muito bom...

Mas para quem gosta de terras do Algarve, talvez ainda chegue a tempo de ver hoje os Vague no Golf Club de Vilamoura, inseridos no tal "Allgarve Fest"... Aconselho vivamente, nem que seja pelas "covers" que fizeram de temas dos Depeche Mode, Joy Division ou The Clash... Se gostarem de Jazz e Bossa nova então, o dinheiro não será mal empregue...


Mas, como ainda vão todos a tempo de comprar bilhetes para o mítico Cohen - no Pavilhão Atlântico a 10 de Setembro- e para Goldfrapp - Coliseu a 22 de Setembro - de novo, garanto que não se vão arrepender...


Boas compras - de bilhetes: Cohen entre os 30€ e os 75€ e Goldfrapp entre os 30€ e os 35€- e "good vibes" com boa musica...


Se quiserem consultar qualquer uma das páginas de qualquer um destes grupos, aqui ao lado, em baixo, poderão fazê-lo: Enjoy... the music...

Estas sugestões "abriram-me o apetite", depois da pintura, acho que hoje ouve-se Nouvelle lá por casa e acaba-se com Cohen...

quarta-feira, agosto 11, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei.


Paul Jackson Pollock, morreu a 11 de Agosto de 1956 foi um pintor norte americano por quem tenho imensa admiração e, que é ainda hoje, uma das maiores referência do movimento expressionionista abstracto.

Como tudo o que poderia escrever sobre ele me parece menor, deixo-vos com uma das raras entrevistas que deu:

From: Jackson Pollock, "My Painting", in Pollock: Painting (edited by Barbara Rose), Agrinde Publications Ltd.: New York (1980), page 65; originally published in Possibilities I, New York, Winter 1947-8:

"I accept the fact that the most important painting of the last hundred years was done in France. American painters have generally missed the point of modern painting from beginning to end. (The only American master who interests me is Ryder.) Thus the fact that good European moderns are now here is very important, for they bring with them an understanding of the problems of modern painting. I am particularly impressed with their concept of the source of art being the Unconscious. This idea interests me more than these specific painters do, for the two artists I admire most, Picasso and Miro, are still abroad...

The idea of an isolated american painting, so popular in this country during the thirties, seems absurd to me just as the idea of creating a purely american mathematics or physics would seem absurd...

My painting does not come from the easel. I hardly ever stretch my canvas before painting. I prefer to tack the unstretched canvas to the hard wall or floor. I need the resistance of a hard surface. On the floor I am more at ease. I feel nearer, more a part of the painting, since this way I can walk round it, work from the four sides and literally be in the painting. This is akin to the methods of the Indian sand painters of the West.

I continue to get further away from the usual painter's tools such as easel, palette, brushes, etc. I prefer sticks, trowels, knives and dripping fluid paint or a heavy impasto with sand, broken glass and other foreign matter added.

When I am in my painting, I'm not aware of what I'm doing. It is only after a sort of 'get acquainted' period that I see what I have been about. I have no fears about making changes, destroying the iamge, etc., because the painting has a life of its own. I try to let it come through. It is only when I lose contact with the painting that the result is a mess. Otherwise there is pure harmony, an easy give and take, and the painting comes out well."

Amanhã pinta-se... bem, mal, não interessa, amanhã pinto o que sou, como sempre!

terça-feira, agosto 10, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Portugal preciso do estrangeiro para "fazer bonito". Os portugueses precisam de ir para o estrangeiro para serem profissionais.

O drama português adensa-se a cada ano que passa e, a cada passo que o português, volta a dar, em direcção a uma nova emigração. Desta feita, já não são os "bimbos" a emigrar, já não são "os homens das obras", agora emigram os nossos jovens licenciados. Talvez por isso o país se dê ao luxo de perder a sua identidade firmando Acordos Ortográficos e disparates "quejandos".


O Pavilhão de Portugal Esta com uma área de 2000 m2, tem uma fachada de cortiça, um material reciclável e ecológico. Tenta passar uma imagem positiva, ao mesmo tempo que mostra o comércio e a cultura nacionais: Portugal é o maior exportador mundial de cortiça. E parece que Portugal é apenas isso: exportador de meia-dúzia de "tarecos".

Se assim, não fosse como é que se compreende que no dia 1 de Agosto, após entrar no recinto de Portugal e de o visitar, um jovem chinês, afirme em entrevista desconhecer a história do seu país? Reparem que não menciono o nosso país! Quando entrevistado não sabia que Portugal e a China tinham sido "parceiros de negócios" mas, acima de tudo que tinham feito trocas culturais que vão muito além do esparguete que um italiano trouxe...

Camões viveu na China. Escreveu parte dos seus Lusíadas em Macau.
Foi à conta da nossa ida até lá que se recriou o mapa-mundo, com indicação da rota Lisboa-Cantão e que se cria o primeiro globo terrestre com a China.
O primeiro dicionário português-chinês é realizado entre 1583/88 pelos padres jesuítas.
É graças aos portugueses que hoje os ingleses bebem chá: difusão internacional do hábito do chá, foi feita através de um retrato de D. Catarina de Bragança.
Se hoje existe a porcelana e a "família azul-branca" é graças ao “Tratado das Cousas da China” de Frei Gaspar da Cruz, obra na qual se explica como se faz a porcelana.

Ainda assim, Portugal precisa dos outros para se afirmar enquanto "adulto" e dono de si! Portugal, afinal, não passa de uma pálida representação dos portugueses: precisamos do outro para sabermos que existimos. E assim, o que esperar de uma nação, de um povo?


A Expo 2010 ocupou o bairro de Pudong, que significa literalmente: a margem Este do rio Huangpu... Mas em compensação, descompensada, Portugal continua a estar a este do Paraíso...

segunda-feira, agosto 09, 2010

Musica, poesia...





Qualquer Coisa de Paz


Qualquer coisa de paz.
Talvez somente

a maneira de a luz a concentrar

no volume, que a deixa, inteira, assente

na gravidade interior de estar.

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,

uma ausência de si, quase lunar,

que iluminasse o peso. E a corrente

de estar por dentro do peso a gravitar.


Ou planalto de vento. Milenária

semeadura de meditação

expondo à intempérie a sua área


de esquecimento. Aonde a solidão,

a pesar sobre si, quase que arruína

a luz da fronte onde a atenção domina.


Fernando Echevarría, in "Figuras"

sexta-feira, agosto 06, 2010

Definições


Destino:

Aquilo que autoriza os crimes do tirano e serve de desculpa para os fracassos do idiota.

O destino fazêmo-lo nós. Normalmente custa. Mas com esforço não há nada que não se consiga... Claro que é sempre mais fácil sermos tiranos e idiotas!

quinta-feira, agosto 05, 2010

Dissertações 4


Isto de ter 2 passaros na mão é muito incómodo: não só não se consegue agarrar de facto o que se quer, como os pobres dos passáros passam um calor desgraçado!!!!

Sugestões...

Para quem gosta de cinema, e por A mais B não teve tempo para no ano passado ir ao cinema por razões que o próprio abecedário desconhece, está na hora de aproveitar enquanto ainda é tempo, um ou outro filme que ainda por aqui estão em cartaz... Para quem prefere beira-mar sem Kafka, outros livros para relaxar...



O Segredo dos Seus Olhos


De Juan José Campanella, com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Javier Godino, Pablo Rago.

Vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro e do Goya para melhor filme 2009, o filme junta os géneros policial, político, romance, drama e comédia. Reformado, Espósito decide escrever um romance. Não precisa ficcioná-lo. O seu passado como oficial de justiça garante-lhe uma história trágica e comovente. Em 1974, o seu departamento ordena-lhe a investigação da violação e do assassinato de uma mulher. Era jovem e tinha acabado de casar. O marido estava inconsolável. A conclusão do caso revela a sordidez da natureza humana e a ineficácia da justiça.
Internet: www.elsecretodesusojos.com/
Cinema King - Sala 2
Sessões: de 2010/08/05 até 2010/08/1114h, 16h30, 19h, 21h30, 00h (Sex, Sab, Seg) Endereço: Avenida Frei Miguel Contreiras, 52 A

Acessos: Metro: Roma
Telefone: 218 480 808


Partir

De Catherine Corsini, com Kristin Scott Thomas, Sergi López, Yvan Attal.

Suzanne está descontente com a sua vida. Aos 40 anos, casada, mãe de dois filhos e com uma vida, aparentemente feliz, precisa mudar. Depois de anos dedicados, exclusivamente, à família, decide retomar a sua antiga profissão de fisioterapeuta. Com o apoio do marido, manda construir uma clínica. No decorrer das obras aproxima-se de Ivan, um emigrante galego, ex-presidiário e, agora, trabalhador da construção civil. Sem conseguir resistir à atracção, Suzanne abdica da comodidade da sua vida e abraça o amor e o desejo por este desconhecido. Mas o preço a pagar pode ser demasiado alto...

Cinema Monumental - Sala 3
Sessões: de 2010/08/05 até 2010/08/1113h40, 15h40, 17h40, 21h40
Endereço: Avenida Praia da Vitória (Edifício Monumental)1050-120 Lisboa
Acessos: Autocarros: 1, 21, 31, 36, 38, 41, 44, 45, 46, 49 Metro: Saldanha
Telefone: 213 142 223 (informações e reservas)

E como a vida não se faz apenas de filmes... até porque por vezes a vida já é um filme de série B... fica aqui uma sugestão de dois livros interessantes, um já lido, outro a "caminho" disso...


O Coração É um Solitário Caçador


Carson McCullers


O tema principal da comovente obra de Carson McCullers (1917-1967) é a solidão. O fracasso, a perda e a rejeição reflectem a relação de pobreza dos estados do Sul relativamente ao Norte dos EUA. O facto de se ver confinada a uma cadeira de rodas aos 30 anos de idade fez com que se interessasse pelo impacto que as enfermidades físicas causam nos indivíduos e nas comunidades em que vivem. O Coração É um Solitário Caçador, considerado um dos grandes romances do século XX, narra a pungente história de John Singer, um surdo-mudo que habita num hotel decadente, que vê a sua solidão aumentar ao ser afastado do seu único amigo..




Diário da Bicicleta

David Byrne

David Byrne, músico, compositor e produtor musical, nascido na Escócia, em 1952, funda, em 1974, a banda Talking Heads, um dos grupos precursores do new wave. Compõe para ópera, dança e cinema (em 1987 recebeu um Óscar pela co-autoria da banda sonora do filme O Último Imperador de Bernardo Bertolucci) e dedica-se à fotografia. Diário da Bicicleta, o seu primeiro livro, relata as suas experiências, ao longo de 12 anos, em várias cidades do mundo no selim de uma bicicleta desdobrável. Entre o puro exercício de auto-análise com as “cidades a funcionar como espelho” e a meditação libertada pela actividade repetitiva e mecânica do pedalar (sobre temas como a música, a moda, a arquitectura ou o urbanismo, entre outros), estas crónicas testemunham uma tendência evolutiva de transformação das cidades em locais mais acolhedores para os ciclistas e, consequentemente, em sítios mais humanos para viver.

Ora bem, então esta semana a coisa fica assim: O Segredo é Partir mas, para não ficarmos muito Solitários, o melhor é pegar na Bicicleta e ir escrevendo alguns Diários... Bom resto de dia!

quarta-feira, agosto 04, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei.


Os portugueses são conhecidos, pelo mundo fora, como eternos românticos... à moda antiga!
São conhecidos também pela sua cozinha e hospitalidade...
Mas também, por não "gramarem muito" os seus vizinhos castelhanos e, por terem uma certa tendência pela "fantasia" e confabulação...

Estes últimos atributos tão portugueses como o Cozido, foram estabelecidos no século XVI... com um rapaz de seu nome Sebastião que, reza a história, teria perecido à mão de um qualquer mouro, neste preciso dia...

D. Sebastião I de Portugal (Lisboa, 20 de Janeiro de 1554 — Alcácer-Quibir, 4 de Agosto de 1578) foi o décimo sexto Rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido... não admira dada a parca herança que nos deixou... Pela primeira vez na curta mas, "recheada" história de Portugal, o país viu órfão... Adoptado, mais tarde por um pai que não desejava de seu nome Filipe de Castela.

Foi o sétimo rei da Dinastia de Avis, neto do rei João III de quem herdou o trono com apenas três anos. Aos 14 anos assumiu a governação manifestando grande fervor religioso e militar... naquela altura os homens faziam com esta idade, hoje, nem aos 40... nem para governar, nem para... enfim, adiante.

Aos 14 anos, D. Sebastião assume a governação. Sonhava com batalhas, conquistas e a expansão da Fé, profundamente convicto de que seria o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do Norte de África. Sebastião começou a preparar a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez... Convenhamos que aqui, as convicções de D. Sebastião já se assemelhavam a algumas "folies" dos homens portugueses de hoje... O ADN português não tem tido portanto, muitas alterações ao longo dos séculos... Compreende-se o estado actual da nação!

Assim, com um pouco mais de juízo, Filipe II de Espanha, seu tio, recusou participar e adiou o casamento de Sebastião com uma das suas filhas para depois da campanha. O exército português desembarcou em Marrocos em 1578 e Sebastião rumou imediatamente para o interior. Tinha 24 anos de idade e muita "gana".

Na batalha de Alcácer-Quibir, o campo dos três Reis, os portugueses sofreram uma derrota às mãos do Sultão Ahmed Mohammed de Fez e perderam uma boa parte do seu exército. Quanto a Sebastião, provavelmente morreu na batalha ou foi morto depois desta terminar. Mas para o povo português de então o rei havia apenas desaparecido. Este desastre teria as piores consequências para o país, colocando em perigo a sua independência. O resgate dos sobreviventes ainda mais agravou as dificuldades financeiras do país... As mesmas, por razões diversas, que hoje mantêm o país neste estado de "alegria económica" contagiante.

Em 1582, Filipe I de Portugal, mandou transladar para o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa um corpo que alegava ser o do rei desaparecido, na esperança de acabar com o Sebastianismo, o que não resultou, nem se pôde comprovar ser o corpo realmente o de Sebastião I... Tira-se-lhe o chapéu pela tentativa.

O Túmulo de Mármore que repousa sobre dois elefantes, pode ainda hoje ser observado em Lisboa. A dúvida que persiste há mais de 425 anos poderia provavelmente hoje ser resolvida com um simples teste de ADN.

Tornou-se então numa lenda do grande patriota português - o "rei dormente" (ou um Messias) que iria regressar para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias, uma imagem semelhante à que o Rei Artur tem em Inglaterra ou Frederico Barbarossa na Alemanha.

Em conclusão, a dinastia de Avis, popular entre o povo após ter guiado Portugal a sua época de ouro, acabou por submergir na busca de um sonho: a União Peninsular. As mesmas complicações causadas pela procriação consanguínea causou as mortes das crianças de D. João III e de Catarina de Áustria, além da loucura e desespero dos seus netos Sebastião e Carlos, os últimos príncipes de Avis-Habsburgo... Com genes assim, como esperar que o povo seja saudável...

Recordem que, D. Afonso Henriques, já iniciou mal a pátria Portucalense incitando os outros (e o próprio) a bater na própria mãe... ora, assim, não há povo nem pátria que aguentem... É muita falta de saúde mental... Façam o favor de ser... saudáveis, até amanhã.

terça-feira, agosto 03, 2010

Arquitectura, Design, Arte...




A Expo 2010 em Xangai já abriu as portas faz tempo. A metrópole chinesa espera cerca de 70 milhões de visitantes àquela que vai ser a primeira exposição mundial "verde" da história da Expo.

Um dos edifícios mais interessantes é o Edificio do Povo: As imagens em cima, mostram o projecto deste edifício, que se pode considerar uma obra Fantástica!


Dois corpos arqueados emergem (um do solo, outro da água) em direcção ao céu, unindo-se no topo e fundindo-se num monumental edifício único de formas arrojadas, semelhante a um tubo de aço perfurado e dobrado por uma força imensa.


O seu perfil tem a configuração de um dos caracteres do alfabeto chinês, o qual significa “pessoas”.

O Edifício do Povo (nome de código: REN) é um projecto de um colectivo de arquitectos e designers dinamarquês intitulado
BIG (Bjarke Ingels Group).

A forma peculiar deste edifício não é gratuita e comporta, na perspectiva da filosofia oriental, um simbolismo que vai para além da semelhança com o sinal caligráfico com o qual se identifica.
Assim, o corpo que emerge da água é dedicado a actividades de cultura física, desportos, etc., enquanto que o corpo emergente da terra tem como destino actividades de “enriquecimento espiritual”, onde funcionará um centro de conferências e muitas outras actividades intelectuais.
A partir do ponto de encontro destes dois corpos, onde o edifício se torna um só, ficará instalado um hotel com uma capacidade de 1.000 alojamentos.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Rules of Engagement. Cap. 4


Se até nem gostavas de animais mas, passaste a gostar apenas porque eles já faziam parte do "pacote" : Agarra!

Musica, poesia...

O recomeço das já conhecidas exposições escritas sobre poesia, musica, arquitectura...
Espero que seja um bom recomeço!



"A viagem não acaba nunca.
Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com Sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir. E para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem.
Sempre.
O viajante volta já.”


Saramago "Viagem a Portugal"