quarta-feira, dezembro 22, 2010

Despertar...




O dia acordou chuvoso com saudades de um sol quente e demorado...

Os lençóis quentes bebiam um prolongado chá quente que fazia com que já não interessa-se a ida para o trabalho...

As roupas sossegadas teimavam em não se deixar vestir dando a impressão de humidade...

O café da manhã foi o primeiro de muitos do dia que teimava em não começar...

Abriram-se portas fecharam-se janelas e o riso das crianças ali, à beira do passeio, era a única coisa que quebrava o silêncio...

As horas, languidamente, foram passando...

Leu-se Camus, ouviu-se Cohen, reparou-se amuide no rosto de cada um que por ali passava descuidadamente...

O fim do dia cumprimentou-me alegremente como o seu inicio não tinha feito...

Abriram-se janelas, fecharam-se portas...

Era noite... cerrada, fria, húmida e chuvosa, ainda.
Mas foi então, que o dia, de facto, começou: Chegaste!

Um Natal perto de quem vos ama e, não sendo isso possivel que estejam todos os que amamos pelo menos, em pensamento.


PAZ!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Assim andamos


"Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente."

Lúcio Aneu Séneca, in Cartas a Lucílio.

Andamos assim como o conselho dado por Séneca... destarte, tenho andado a dispor de mim, do meu tempo, que ainda que curto tem sido meu, todo.

Lamento assim, a distância que me tem separado de vós mas... confesso, não lamento muito... tenho tido tempo que o me faltava: ler (mais), descobrir novas sonoridades, pintar, fotografar e para preparar exposições... um dia, em breve, volto.

Até já.

terça-feira, outubro 19, 2010

Fotografia, Poesia e Musica



Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes


Dizes-me: tu és mais alguma cousa

Que uma pedra ou uma planta.

Dizes-me: sentes, pensas e sabes

Que pensas e sentes.

Então as pedras escrevem versos?

Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.

Mas não é a diferença que encontras;

Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:

Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.

Sou diferente.

Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?

Pode ser e pode não ser.

Sei que é diferente apenas.

Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.

Sei isto porque elas existem.

Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.

Sei que sou real também.

Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,

Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.

Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.

Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.

Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;

E as plantas são plantas só, e não pensadores.

Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.

Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",

Digo da planta, "é uma planta",

Digo de mim, "sou eu".

E não digo mais nada.

Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro





Como Thom Yorke... também eu estou a chegar a "casa"... a caminhada foi longa e adivinha-se ainda prolongada mas, "casa"... Estamos na beira de "pensar as mesmas coisas, ao mesmo tempo"... o reencontro connosco é sempre o mais aguardado...

segunda-feira, outubro 11, 2010

Poesia e Musica



Lei


O que é preciso é entender a solidão!
O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga
que leva os mortos.
O que é preciso é esperar pela estrela
que ainda não está completa.
O que é preciso é que os olhos sejam cristal sem névoa,
e os lábios de ouro puro.
O que é preciso é que a alma vá e venha;
e ouça a notícia do tempo,
e. entre os assombros da vida e da morte,
estenda suas diáfanas asas,
isenta por igual.
de desejo e de desespero.


Cecília Meireles

sexta-feira, outubro 08, 2010

quarta-feira, outubro 06, 2010

Poesia e Musica



Aspiração

Sinto que há na minha alma um vácuo imenso e fundo,
E desta meia morte o frio olhar do mundo
Não vê o que há de triste e de real em mim;
Muita vez, ó poeta, a dor é casta assim;
Refolha-se, não diz no rosto o que ela é,
E nem que o revelasse, o vulgo não põe fé
Nas tristes comoções da verde mocidade,
E responde sorrindo à cruel realidade.

Não assim tu, ó alma, ó coração amigo;
Nu, como a consciência, abro-me aqui contigo;
Tu que corres, como eu, na vereda fatal
Em busca do mesmo alvo e do mesmo ideal.
Deixemos que ela ria, a turba ignara e vã;
Nossas almas a sós, como irmã junto a irmã,
Em santa comunhão, sem cárcere, sem véus.
Conversarão no espaço e mais perto de Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida
Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
Tarja de luto a folha em que lhe deixa escritas
A suprema saudade e as dores infinitas.
Alma errante e perdida em um fatal desterro,
Neste primeiro e fundo e triste limbo do erro,
Chora a pátria celeste, o foco, o centro, a luz,
Onde o anjo da morte, ou da vida, o conduz
No dia festival do grande livramento;
Antes disso, a tristeza, o sombrio tormento,
O torvo azar, e mais, a torva solidão,

Embaciam-lhe na alma o espelho da ilusão.
O poeta chora e vê perderem-se esfolhadas
Da verde primavera as flores tão cuidadas;
Rasga, como Jesus, no caminho das dores,
Os lassos pés; o sangue umedece-lhe as flores
Mortas ali, — e a fé, a fé mãe, a fé santa,
Ao vento impuro e mau que as ilusões quebranta,
Na alma que ali se vai muitas vezes vacila...

Oh! feliz o que pode, alma alegre e tranqüila,
A esperança vivaz e as ilusões floridas,
Atravessar cantando as longas avenidas
Que levam do presente ao secreto porvir!
Feliz esse! Esse pode amar, gozar, sentir,
Viver enfim! A vida é o amor, é a paz,
É a doce ilusão e a esperança vivaz;
Não esta do poeta, esta que Deus nos pôs
Nem como inútil fardo, antes como um algoz.

O poeta busca sempre o almejado ideal...
Triste e funesto afã! tentativa fatal!
Nesta sede de luz, nesta fome de amor,
O poeta corre à estrela, à brisa, ao mar, à flor;
Quer ver-lhe a luz na luz da estrela peregrina,
Quer–lhe o cheiro aspirar na rosa da campina,
Na brisa o doce alento, a voz na voz do mar,
Ó inútil esforço! Ó ímprobo lutar!
Em vez da luz, do aroma, ou do alento ou da voz,
Acha-se o nada, o torvo, o impassível algoz!

Onde te escondes, pois, ideal da ventura?
Em que canto da terra, em que funda espessura
Foste esconder, ó fada, o teu esquivo lar ?
Dos homens esquecido, em ermo recatado,
Que voz do coração, que lágrima, que brado
Do sono em que ora estás te virá despertar?

A esta sede de amar só Deus conhece a fonte?
Jorra ele ainda além deste fundo horizonte
Que a mente não calcula, e onde se perde o olhar?
Que asas nos deste, ó Deus, para transpor o espaço?
Ao ermo do desterro inda nos prende um laço:
Onde encontrar a mão que o venha desatar?

Creio que só em ti há essa luz secreta,
Essa estrela polar dos sonhos do poeta,
Esse alvo, esse termo, esse mago ideal;
Fonte de todo o ser e fonte da verdade,
Nós vamos para ti, e em tua imensidade
É que havemos de ter o repouso final.

É triste quando a vida, erma, como esta, passa;
E quando nos impele o sopro da desgraça
Longe de ti, ó Deus, e distante do amor !
Mas guardemos, poeta, a melhor esperança:
Sucederá a glória à salutar provança:
O que a terra não deu, dar-nos-á o Senhor !

Machado de Assis

sexta-feira, outubro 01, 2010

Fotografia




O casamento de 2 ou mais alianças é um Full-house no poker... ou então, é mesmo uma questão de
azar!




segunda-feira, setembro 27, 2010

Musica e Poesia



Acaso

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Álvaro de Campos

domingo, setembro 26, 2010

Estudo de um dia V



O dia foi acabando como começou: comigo a tirar fotos a gente, a coisas, a situações...


sábado, setembro 25, 2010

Estudo de um dia IV


O dia foi completo: com direito a feira e tudo...

sexta-feira, setembro 24, 2010

Estudo de um dia III


E com uma relvinha por perto um piquenique veio mesmo a calhar...

quarta-feira, setembro 22, 2010

Estudo de um dia II


Após longo passeio um refrescante mergulho pedia-se...

terça-feira, setembro 21, 2010

Estudo de um dia


O dia começou com o alvoroço desmedido da transgressão permitida: a Marginal aberta ao pedestre que se quisesse aventurar...

segunda-feira, setembro 20, 2010

Musica e poesia.



Prazeres


O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.


Bertold Brecht.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Fotografia



A Luz é sempre mais apreciada depois depois da escuridão. Os meandros da alma e das acções não são contudo, sempre claros.



quinta-feira, setembro 16, 2010

Sugestões


Dos anos em que vivo... no sitio onde vivo... guardo recordações imensas: as pessoas da rua, o mercado do bairro, a frutaria no fim da rua, o café ao lado de casa, o cheiro que vem do Laboratorio quando chove ligeiramente e a terra fica húmida, das árvores -algumas únicas no país- que se encontram no Parque de saúde, dos aviões a razoarem as nossas cabeças...

Portanto foi com muito orgulho que participei ontem, na inauguração de mais uma exposição que fica patente até Outubro no Parque de saúde do Júlio de Matos em Lisboa.

Bem sei as piadolas que já devem pairar essas mentes... mas olhem tanto pior!

O Parque é efectivamente isso: um Parque, enorme e vibrante, com pessoas a sério e que, na esmagadora parte dos casos não se revelam como doentes mentais... Aliás, é ali que verifico a quantidade de gente sã e "inasana" que se cruzam nas nossas vidas sem que, fora daquele contexto, nos apercebamos disso. É também ali que faço muitos dos meus passeios de encontro com a natureza em plena cidade.

Gosto do meu bairro pela sua peculariedade mas, acima de tudo, pela sua insana beleza... Daí que não será de admirar que a sugestão para este fim-de-semana seja a visita a este Parque e, se puderem, à exposição.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No net? No stress!


Aqui o She, tem andado com os já conhecidos problemas de acesso "nético", os diversos "mambojambos" de computadores, os "azucrinqamento" naturais de viroses intempestivas, as sobejamente "arreliantes" confusões matriarcais-filhiais e, claro, as "esquizotermices" próprias de um feitio da treta que aqui a ME HATE tem...

O que vale é que, no meio de tão mau feitio, eu não "stresso"... pelo menos, não com a net...assim: se não vai mais depressa, vai mais devagar...

Peço, não obstante, a vossa paciência e compreensão... Bem sei: duas qualidades difíceis de acharmos em nós -e no outro- nos dias que correm... ainda assim, voltem sempre porque eu, certamente voltarei em breve...

terça-feira, setembro 14, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Ainda maravilhada com Cohen...

Aqui no She, temos agrado especial de falar bem de Portugal. Frequentemente o português repara nos defeitos, no que é, sem de dar conta das qualidades, do que poderá vir a ser.
Olhamos demasiadas vezes para os nossos pés, poucas para o horizonte... não sei temos vistas custas, se padecemos mesmo de uma grave miopia... O She é um blogue míope mas, tem nele todos os "sonhos do mundo"...

Hoje convido-vos a verem esse mundo... Visitem: O mais
(inter)Nacional dos hotéis portugueses... podendo: aluguem um quarto... Afinal Portugal também tem coisas boas...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Musica e Poesia...



Memória



I

Na cristalina, líquida presença,

crescente lua no abismo enquanto

o mar se cala, desconheço a margem

onde me espera no desejo

esguio do poente a deusa branca...

À ínfima visão dum lírio encosto

o meu soluço! O espaço é grande...

Não invoco o lugar mas a verdade

surge aquém da espera...

Gaivotas sussurrantes, deixo a música

morrer, pegadas frescas, desperdícios

quentes na relva da minha alma...



II

Quando se oculta julgando a noite

indefesa enorme, a fugidia

estrela me ilumina e desce!

Vem até mim, quebrada a natural

cadência do seu mundo, e cresce... cresce...

Tentáculos de luz me envolvem. Comovido,

aperto em minhas mãos o elanguescente

ardor do seu chegar...



III

Reconquisto agora o teu rosto, um horizonte,

silêncio de grito suspenso, labirinto,

mais desfeito

no hálito das nuvens...

Me surges tão sem ti

que envolve o dia a espessura deste longe...

E afogo assim na íntima, na única

beleza do teu rasto,

o meu soluço de água...



António Salvado

sexta-feira, setembro 10, 2010

Fotografia


Volto. Quando o mar insistir.

E hoje deixo-vos com os islandeses Sigur Rós -Rosa da Vitória- e o seu Hafssól -Marsol- do album de 1997, o primeiro de muitos que depois ouvi.



quinta-feira, setembro 09, 2010

Sugestões...


Lisboa ainda fervilha de actividades ao ar livre e ainda respeita cultura... Precisamos de a procurar e por vezes de estarmos mais atentos... Exemplo? A Gulbenkian tem todos os fins-de-semana exposições gratuitas... Porque não ver uma e de farnel fazer um piquenique à boa maneira portuguesa nos extensos jardins que se apresentam????

Se não que tal o:
Lisbon Unplugged - O Festival desligado de preconceitos. Entre os dias 10 e 11 de Setembro.

A Tapada da Ajuda recebe o 1º Festival Desligado de Preconceitos – Lisbon Unplugged. Música, arte e entretenimento são os ingredientes do evento que procura também promover a responsabilidade social e a sustentabilidade ambiental. Neste sentido o festival oferece ao público várias soluções ecológicas que permitem aproveitar da melhor forma o espaço e a natureza envolvente.

Várias áreas - Pavilhão das Artes, Palco Diversidades e Tenda Electrónica – oferecem aos visitantes diversas actividades e espectáculos. O programa inclui dança, teatro, perfinst (performance + instalação), grafitti, vídeo e muita música. Do cartaz destacam-se grupos estrangeiros como Au Revoir Simone, Jay-Jay Johanson e The Vails, assim como os portugueses David Fonseca e Rita Redshoes. Um festival que conta com todos aqueles que têm uma “mente aberta”. Ou pelo menos daqueles que gostam dos Au Revoir Simone...

Quem é o primeiro a dizer: Quero ir!

quarta-feira, setembro 08, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei.


Vocês alguma vez viram um tigre ou um lobo da Tasmânia????

Não? É natural... Ele existiu mas, como tantas coisas na vida diária... foi extinto.

O tilacino (Thylacinus cynocephalus), mais conhecido por lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia, foi o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos. Nativo da Austrália e Nova Guiné, acredita-se que se tornou extinto no século XX. Foi o último membro do seu género, Thylacinus, ainda que diversas espécies relacionadas tenham sido encontradas em registos fósseis datados do inicio do Mioceno. Portanto o Tilacino sobrevive 23 milhões de anos para morrer desgraçadamente nas mãos humanas... Onde é que eu já li isto?????

Os tilacinos foram extintos da Austrália continental milhares de anos antes da colonização europeia do continente, mas sobreviveram na ilha da Tasmânia junto com diversas espécies endémicas, incluindo o famigerado e muito conhecido: diabo-da-tasmânia.

A caça intensiva encorajada por recompensas e o facto de serem considerados uma ameaça aos rebanhos, são dadas como factores decisivos para a sua extinção, factores que em nada surpreendem dado que, a maioria das espécies tem sido extinta acima de tudo, por estes factores. Contudo, outros factores que também contribuíram estão relacionados com outras situações que vão desde as doenças típicas da espécie, à introdução de cães, "dingos" e à ocupação, cada vez mais extensa, dos humanos no seu habitat.

O último registo visual conhecido ocorreu em 1932 e o último exemplar morreu no Zoológico de Hobart em 7 de Setembro de 1936. Apesar de ser oficialmente classificado como extinto, relatos de encontros com alguns espécies, ainda são reportados... Um pouco à luz do "rapaz" que percorre a profundezas do Lockness...

Como os tigres e lobos do hemisfério norte, dos quais herdou dois dos seus nomes comuns, o tilacino era um predador-alfa da cadeia alimentar. Como marsupial, não era relacionado a estes mamíferos placentários, mas sim devido à convergência evolutiva, o tilicino demonstrava as mesmas formas gerais e adaptações. O seu parente mais próximo é de facto o diabo-da-Tasmânia.

O tilacino era um dos dois únicos marsupiais a terem um marsúpio em ambos os sexos (o outro é a cuíca-d'água). O macho tinha uma bolsa que agia como um revestimento protector, protegendo os órgãos externos do animal enquanto este corria através da mata fechada.

Nesta pequena incursão no mundo da extinção que hoje vos apresento aqui, deseja-se algum "acordar espiritual" e ecológico da nossa parte para que este exemplo não volte a ser repetido...

O "SHE" também é um blog ecológico e preocupado com o mundo e os animais... Afinal, os animais são nossos amigos e, sem o nosso planeta e o que eles nos oferece, a nossa sobrevivência não seria possível.

terça-feira, setembro 07, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


O castelo de S. Jorge sempre foi uma fonte de inspiração para muitos lisboetas, inclusive eu. For certamente palco de muitas brincadeiras de miúdos, de muito namoro adolescente e é, sempre, miradouro principal da cidade mesmo havendo outros, em locais mais recondidos, que sejam melhores para essa observação peculiar.

É portanto com contentamento e surpresa que começa agora a ser revelada a musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo, que já começou em 2008 mas até ao momento não se via.

É do conhecimento público que em 1996 teve início nesse local uma extensa campanha arqueológica que pôs a descoberto vestígios de diferentes momentos da sua ocupação. Removidos e protegidos os objectos aí encontrados (presentemente expostos no Núcleo Museológico do Castelo de S. Jorge).

Agora é pedida a protecção e musealização de três áreas distintas, dispersas por entre a topografia do campo arqueológico: um conjunto de estruturas habitacionais da Idade do Ferro, os restos das paredes e pavimentos de duas casas do período de ocupação muçulmana e uma superfície pavimentada de um palácio do século XV. A descrição e a informação serão também mais detalhadas.

A Praça Nova localiza-se num promontório na extremidade nascente do Castelo de S. Jorge, ladeada a norte pelas muralhas e a sul pela Igreja de Santa Cruz. A nascente abre-se numa relação de dominância visual sobre a cidade e o rio.

À semelhança do "campo operatório" das cirurgias (uma abertura no selo anti-microbiano, destinada a ser posicionada em torno do local da operação), procurou-se em primeiro lugar estabelecer com rigor o limite da área das escavações.
Como explica Carrilho da Graça: "Um conjunto de muros de contenção revestidos a aço corten definem todo o perímetro da área de escavações, demarcando com precisão o "campo" e aprisionando no seu interior, a uma cota mais baixa, as escavações e as ruínas postas a descoberto."

Assim, a ver se temos em breve o Castelo de S. Jorge de volta para os lisboetas e também para os restantes. Lembrem-se: lisboeta não paga. É de aproveitar mas não se esqueçam de levar o B.I ou o Cartão de cidadão para comprovarem a vossa "lisboetisse" se não...

segunda-feira, setembro 06, 2010

Musica e poesia...



Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida


Pergunto-te onde se acha a minha vida.

Em que dia fui eu. Que hora existiu formada

de uma verdade minha bem possuída.

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida

por esperanças hereditárias? E de cada

pergunta minha vai nascendo a sombra imensa

que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença

de ti, de mim, da coisa perguntada,

do silêncio da coisa irrespondida.

Cecília Meireles

sexta-feira, setembro 03, 2010

Fotografia

Começa hoje, um novo tema de fotografia, em que irei colocando algumas fotos tiradas por mim seguidas de um pequeno texto introdutório... pode ou não (como acontece hoje) vir acompanhada de música que é para começar e acabar a semana em musica...

A ideia é depois, comentarem o que a mesma pode representar para vós... Espero que gostem.




As muralhas que erguemos na relação com o outro seriam pedras mais úteis se delas fizéssemos pilares das nossas acções e humanidade.

Uma boa banda sonora para esta foto: Aznavour.


quinta-feira, setembro 02, 2010

Sugestões...


Termina este fim de semana (dia 5 de Setembro) mais um Salão de Arte em Paço de Arcos (no jardim da parte antiga de Paço de Arcos). Vale a pena irem ver... Ao contrário do que possam pensar, não são só quadros expostos, há também fotografia, joalharia - e já houve, este ano noutro espaço, escultura - um descobrir de outra dimensão e descrição sobre a arte. Apareçam e divirtam-se.


Se a opção for ficar por Lisboa, termina dia 04 o Cabaret Performativo no Chapitô...

Ora eu que passo a vida a dizer que devemos aproveitar a nossa cidade e aquilo que ela tem para nos oferecer, faço das palavras acções e deixo aqui uma missiva: IDE!

Este Cabaret resulta do encontro de ex-alunos da EPAOE - Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo do Chapitô - que apresentam um cabaret misturado, mestiçado, individual e colectivo.

Informações Úteis:
Esplanada do Chapitô
Duração: 1h45m
Endereço: Costa do Castelo, 1/71149-079 Lisboa
Telefone: 218 855 550
Internet: www.chapito.org

quarta-feira, setembro 01, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...


Morreu num dia como o de hoje Kujō Yoritsune (九条 頼経, Kujō Yoritsune - 12 de Fevereiro de 1218 - 1 de Setembro de 1256) foi o quarto shogun do shogunat Kamakura do Japão; governou entre 1226 a 1244. O seu pai foi o kanpaku Kujō Michiie e a sua via era soberana do primeiro shogun Minamoto não Yoritomo.

Também era conhecido como Fujiwara não Yoritsune, pertencia à família Kujō, um dos cinco ramos do poderoso clã de Fujiwara.

Converteu-se em shogun aos sete anos de idade mas os regentes do shogunat Hōjō Yoshitoki e Hōjō Masako eram quem controlavam o shogun, numa tentativa de o converter num dirigente fantoche.

Sob a pressão do clã Hōjō, este teve de ceder a posição de shogun ao seu filho Kujō Yoritsugu, já que tinha demasiada idade para ser controlado. Depois converteu-se em monge budista.

Uma coisa maravilhosa da net: faz-nos procurar coisas das quais nunca ouvimos falar... E perguntam então vocês:

O que é um Shogun?
O termo shogun (将军, significa literalmente «Comandante do exército»), era uma patente militar e um título histórico concedido directamente pelo Imperador.

E o que é o Shogunat Kamakura?
Ao longo da história do Japão existiram três shogunatse, o primeiro estabeleceu-se o 1192 por Minamoto não Yoritomo, conhecido como shogunat Kamakura. Esta governação só foi controlada por três membros do clã Minamoto, já que o poder foi usurpado pelo clã Hōjō, que sob o título de regente nomeavam shoguns fantoches.

E o que é um budista?
Ui, isso era uma conversa que demoraria muito, mas muito mais tempo do que uma simples descrição.

terça-feira, agosto 31, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Juntando dois mundos que muito respeito, escrevo-vos hoje sobre Fernando Guerra. Guerra é fotógrafo de arquitectura. A sua formação, porém, é de arquitecto. O seu olhar divide-se entre dois modos distintos de construir o mundo. Por esta circunstância, ele encontra-se numa posição privilegiada para protagonizar a metamorfose do campo fotográfico que fará com que esta prática de criação de imagens se venha a identificar, em parte, com o próprio campo arquitectónico.

Como prova do seu génio, temos a Casa Baltazar: sendo irónico que uma casa minúscula como a Casa Baltasar tenha tido uma projecção mediática tão proeminente, a imagem que teve o dom de projectar esta arquitectura menor para essa enorme visibilidade foi descoberta por Fernando Guerra aquando da sua fotografia.

O potencial estava lá, é certo, e não devemos minorar a beleza "arquitéctonica liliputiana" da própria mas foi o olhar de Guerra que, entre outras imagens já antevistas, fixou em definitivo a espacialidade peculiar de um determinado ponto de vista. portanto, o gosto pelo trabalho do Fernando estende-se à sua peculiar atenção ao pormenor.

A sua obra fotográfica tornou-se expressiva de um potencial ainda inaudito na curta história da autonomia deste novo campo: a cartografia do seu arquivo tornou-se indistinguível da realidade da arquitectura portuguesa a que, naturalmente, todos os arquitectos portugueses aspiram pertencer.Independentemente da sua própria vontade, Fernando Guerra tornou-se o fazedor do império... Procurem este imperador da fotografia, e certamente a vossas esxpectativas não irão sair goradas.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Musica e poesia...



Feliz Só Será

Feliz só será
A alma que amar.

'Star alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.

Johann Wolfgang von Goethe

quinta-feira, agosto 26, 2010

Sugestões...


Para quem gosta de romance histórico, como género literário, este "A última Estação", parece o resolução das nossas "preces", escrito com múltiplos narradores, esta Estação parece não ter fim... e ainda bem.

Recriando o derradeiro ano de vida de Tolstói e, baseado nos diários daqueles que com ele privaram nesse período: Sófia Andréevna (esposa), Vladimir Tchertkov (amigo, conselheiro e editor), Sacha (filha), Duchan Makovítski (médico pessoal) e Valentim Bulgákov (jovem secretário).

O autor de Guerra e Paz e Anna Karenina, retirado, segundo o livro, na casa de campo de Iássnaia Poliána, aspira à paz de espírito e ao despojamento cristão mas vê-se envolvido na intriga e no confronto entre a mulher e o editor, ambos interessados nos direitos de autor dos seus escritos.

O livro foi considerado por Gore Vidal “um dos melhores romances históricos dos últimos 20 anos”, e eu, que respeito muito a pessoa de Vidal, não lhe acrescento mais nenhum atributo... Desfrutem...

quarta-feira, agosto 25, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...




Faz hoje precisamente 9 anos que morreu a cantora Aaliyah. Não costumamos aqui no She dar "noticia" de mortes tão recentes mas, há 9 anos eu fui muito feliz e, gostava de ouvir esta cantora de R&B. Acima de tudo, adorava a sonoridade e a mensagem da musica que aqui vos deixo.


Aaliyah foi precoce em tudo: com apenas quinze anos já tinha lançado o seu primeiro álbum, muito apropriadamente chamado Age Ain't Nothing But a Number (1994), e dois singles com considerável êxito (ambos no Top 10 norte-americano): Back and Forth e At Your Best (You Are Love), este último um cover dos Isley Brothers. O seu álbum de estreia tranformou-se num disco multi-platina e a cantora iniciou uma tourné que passou, para além dos EUA, pela Europa, Japão e África do Sul. Mas no final desse ano, a imprensa estava mais interessada na controvérsia gerada com o seu casamento (dada a sua tenra idade) com o seu produtor R. Kelly (com 27 anos).

Em 1996, surge o segundo álbum One in a Million, tendo colaborações na produção de estrelas em ascendência, como Timbaland e Missy "Misdemeneanor" Elliot. O disco vende dois milhões de cópias. Com canções como One in a Million e If Your Girl Only Knew que atinge o topo da Billboard Hot 100 R&B, aparições em videoclipes de artistas já consagrados como The Notoriuos B.I.G, Aaliyah apontava a direcção a seguir pelo hip-hop minimalista do final dos anos 90. Mais um sucesso.

No final da década, irrompeu na indústria cinematográfica, com o filme Romeo Must Die (2000), de Andrzej Bartkowiak com Jet Li, em que interpretava a personagem Trish O'Day. Interpretou ainda a diabólica Queen Akasha no filme Queen of the Damned (somente lançado em 2002), baseado no livro homónimo de Anne Rice, e assinou um contrato para aparecer nas duas sequências de The Matrix, que obviamente, não chegou a concretizar.

Um mês depois da saída do seu terceiro álbum, simplesmente intitulado Aaliyah (2001), faleceu num acidente de avião privado, ao retornar da filmagem do vídeo Rock the Boat nas Bahamas.

terça-feira, agosto 24, 2010

Arquitectura, Design, Arte


Ainda em tempos de nostalgia, descobri recentemente que o Convento de Santa Clara (em Coimbra) está em recuperação...

O conhecido atelier15, depois da conservação e restauro dos elementos descobertos e a descoberto, libertaram o espaço da Igreja de todos os elementos espúrios que prejudicavam a leitura do seu espaço e, ainda, tornaram mais confortável o pavimento nas áreas em que se encontrava perdida a sua integridade.

Agora, o edifício do museu funciona como uma espécie de remate sul da área da cerca. Estando implantado paralelamente à Igreja de Santa Clara, ocupando, na sua quase totalidade, a largura do terreno, temos agora uma uma vasta panorâmica que abarca Santa Clara-a-Nova até à colina da Alta de Coimbra, passando pela zona monumental. Belíssimo portanto, e que aconselho vivamente.
Se depois puderem, passem pela Bairrada e já sabem, comam leitão... está muito bom!!!!!!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Musica, poesia...



Poeminha de Insatisfação Absoluta

O que me dói
É que quando está tudo acabado
Pronto pronto
Não há nada acabado
Nem pronto pronto
Pintou-me a casa toda
Está tudo limpado
O armário fechado
A roupa arrumada
Tudo belo, perfeito.
E no mesmo instante
Em que aperfeiçoamos a perfeição
Uma lasca diminuta, ténue, microscópica,
Não sei onde,
Está começando
Na pintura da casa
E as traças, não sei onde,
Estão batendo asas
E a poeira, em geral, está caindo invisível,
E a ferrugem está comendo não sei quê
E não há jeito de parar.

Millôr Fernandes

sexta-feira, agosto 20, 2010

Fim de um ciclo


Caros amigos, colegas e conhecidos:

O meu avô faleceu ontem ao fim da tarde.

Peço a vossa compreensão para o meu silêncio nos próximos dias. Os post`s, dado que iria de férias, já estão previamente agendados e portanto, se puderem apareçam.

Obrigada.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Sugestões...


Amanhã parte-se em direcção a Idanha à Nova (perto de Castelo Branco)... A 8ª edição do Boom Festival está aí e não podemos esquecer que a próxima é só daqui a 2 anos... Aproveitem portanto, o Boom, mas também a bela terra que é Idanha depois do Festival... Para quem quer termas vá até Monfortinho que têm fama desde o tempo dos romanos. Bacteriologicamente puras, hipomineralizadas e hipotermais, são particularmente indicados para doenças da pele, doenças do fígado, colites e doenças crónicas do foro ginecológico.

Para quem preferir caminhadas dedique-se aos esteios do mundo rural e às boas fotos e tente qualquer um destes percursos... ou todos:

Proença-a-Velha Penha Garcia
Ladoeiro
Salvaterra do Extremo
Zebreira
Segura
S. Miguel D'Acha
Rosmaninhal
Aldeia de Santa Margarida.

Valem a pena pelas igrejas, a arte manuelina e a produção artesanal do azeite... ah, claro e as suas gentes...


Para quem goste mais das sentinelas da raia e queira outro tipo de aventura e (também fotos), pode e deve passar por qualquer um destes sítios:

Penha Garcia
Salvaterra do Extremo
Segura
Rosmaninhal.

Valem pela beleza da paisagem e achados gastronómicos... ah, e também as gentes.

Numa terra só, temos paz e diversão... Estas férias foram planeadas mas, se não fossem não seriam a mesma coisa... Daí que vos deixe com apenas uma sugestão mas, que abarca um mundo.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei...


Ora para a maioria das mulheres Balzaquianas - como é o meu caso - Balzac é uma referência.

Tendo morrido no ano de 1950 neste dia, deixou-nos vasta obra que, se estende da ficção à não-ficção, da poesia ao teatro. Filho de Bernard François Balssa, administrador do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Tours, e de Anna Charlotte Sallambier, Honoré de Balzac foi o primeiro de três crianças (Laure, Laurence e Henry). Laure era, de longe, a sua favorita. Estudou em Vendôme até 1814, quando o pai, Bernard François, foi nomeado director da Primeira Divisão militar em Paris e a família se instalou na rua do Templo, no Le Marais, bairro de origem da família.

Em 04 de Novembro de 1816, começa o curso de direito e obtém o diploma de bacharel três anos mais tarde. Ao mesmo tempo, tem aulas particulares teóricas na Sorbonne. Passou este período na casa do procurador Jean-Baptiste Guillonnet-Merville, um amigo da família e amante das letras, para quem trabalhou. Também teve estágio profissional com o tabelião Passez.

Desde cedo, apercebe-se que a sua realização não passa pelo direito mas sim, pela escrita. Não é de estranhar portanto que em 1917 já tivesse escrito o seu primeiro livro. Para além das suas obras os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários - escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de chávenas de café. Com uma produção volumosa, é frequente que se apontem pequenas imperfeições em sua obra - o que, no entanto, não é suficiente para retirar de muitas delas o epíteto de obras-primas.

Para além da "Mulher de 30 anos", Balzac escreveu a "Comédia humana" que, confesso, já comecei por ler duas vezes mas nunca terminei, não admira, se tivermos em conta que esta reúne oitenta e oito obras, e procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.

Para não gastarem dinheiro "à toa" e poderem formar a vossa opinião, a obra de Balzac encontra-se em domínio público e um razoável número delas está disponível digitalmente através do Projecto Gutenberg, que se encontra, como tantas outras coisas, aqui no lado direito deste blog.

terça-feira, agosto 17, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Hoje em vez de falar acerca de uma qualquer obra, ou de algum tipo de construção, deixo-vos com um livro que trata, precisamente este assunto de forma sublime... Para quem goste está aí o "Novos princípios do Urbanismo e Novos compromissos Urbanos" de François Ascher (Livros Horizonte).

No livro, o autor explica que as novas cidades as "metapólis, são flexiexistencialistas, absorventes, indiferentes". De facto, olhando para o dia a dia de uma cidade (a nossa) e das pessoas que a habitam, parece haver um "divórcio" entre estes dois, o aumento da comunicação e da mobilidade parece fazer com que a cidade não seja vivida e sim, apenas habitada.

A relação com a cidade, não sei se concordam, mas parece ser uma extensão da relação que estabelecemos com o outro: de inconsequência, de ausência... Acima de tudo de inexistência de uma relação do indivíduo com o palco da sua vida, enclausurado em escritórios e automóveis e redes sociais, indiferente à chuva, à lua e à praça, ao horizonte e ao por-do-sol. Esta questão não é apenas uma constatação de "velho do Restelo" que se quer parado no tempo. Compreendo que o futuro esteja aí e que temos de nos adaptar mas, a que custo?

Ainda este domingo, em fim de tarde prazenteiro, passeando na zona do Castelo, percebi que o afastamento entre a cidade histórica e a cidade funcional provoca a mudança de escala, acessibilidade e fruição. Os turistas, acima de tudo no caso português, que cada vez está mais "virado" para o turismo, eram de facto os principais fruidores da cidade consolidada e cristalizada. O português passava pela sua cidade como dado adquirido...

O problema coloca-se porque, nestes dias, a ordem capitalista da sociedade já promove a depressão mas, este tipo de nova cidade conduz, inevitavelmente à dispersão e à depressão agravada. Nenhum cidadão pressente numa atitude adulta, que uma cidade à sua dimensão se faça num contínuo deslocar por cápsulas encerradas, híbridas e anónimas mas, na realidade é assim.

Assim, estes novos compromissos urbanos na terceira idade das cidades, pressupõem um novo atractivo que é a a própria atractividade de capitais, de bens e de homens, de um marketing politico e económico, em cidades imageticamente estranhas e informes - pensem nos exemplos mais gritantes do Dubai e da nossa já falada Xangai - são de facto sistemas complexos emergentes, ausentes mas, pulsantes.

O nosso mundo Ocidental não as entende bem, eu não as entendo bem. E não poucas vezes, dou por mim espantada, porque não as desejo verdadeiramente pior, sou muitas vezes criticada por não querer este tipo de cidades e este tipo de vivência.

Estas novas cidades parecem ter as nossas premissas, os nossos valores, a nossa identidade enquanto povo e até, os nossos sentimentos mas, no fundo, não passam de uma cópia, ampliada e adaptada do que é "suposto gostar-se", a uniformização pela uniformização, sem futuro, sem história.

Gosto dos nossos (e dos outros) centros históricos que são elegantes, monumentais e sumptuosos, mas que acima de tudo: envelhecem. O neo-urbanismo vinga agora mas, infelizmente, como muitas outras coisas na minha vida: não é para mim.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Musica, poesia...



Silêncio, Nostalgia...



Silêncio, nostalgia...

Hora morta, desfolhada,

sem dor, sem alegria,

pelo tempo abandonada.


Luz de Outono, fria, fria...

Hora inútil e sombria

de abandono.

Não sei se é tédio, sono,

silêncio ou nostalgia.


Interminável dia

de indizíveis cansaços,

de funda melancolia.

Sem rumo para os meus passos,

para que servem meus braços,

nesta hora fria, fria?


Fernanda de Castro

sexta-feira, agosto 13, 2010

Definições


No dia da semana e do mês em que estamos, esta já era de esperar...

Superstição:
Movimento neo-intelectual-estúpido que começou há muitos anos com danças de chuva e está hoje nas pulseiras de equilíbrio.

Uma excelente sexta-feira 13, com ou sem Jason, e um óptimo bom fim-de-semana.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Dissertações 5


Bipolar é aquela pessoa que se move entre dois pólos diferentes. Tem normalmente as "baterias" numa desgraça e quando tentamos carregá-las... dá faísca!

Sugestões...


Para bom "googler" certamente já se aperceberam que faz 71 anos que o filme "O Feiticeiro de Oz" teve sua pré-estréia. Mais propriamente no dia 12 de Agosto de 1939, tendo entrado definitivamente em cartaz a 25 de Agosto do mesmo ano.
Ora, para quem quiser um regresso ao passado, aconselho, a revisão do filme que, foi o primeiro a ser alugado em minha casa nas já idas cassetes de VHS (tinham terminado com as Beta há coisa de meio ano), num já inexistente Clube de vídeo aqui do bairro.

Não sou de regressos ao passado no que diz respeito à televisão. Adorei o Verão Azul mas indubitávelmente se voltasse a ver a série toda a mística se perderia... Ele há séries que devem ficar nas suas gavetas: arrumadas, catalogadas, fechadas. Ele há séries...

E depois ele há músicas...

Bem antes do gosto cinematográfica ter ganho espaço na alma, a minha, já estava plena de música. Aliás, como diria John Miles "music was my first love" e, como tal, desde sempre "alimentei" esse gosto, em compras, procura e partilhas...
Não devem por isso estranhar que hoje as sugestões sejam todas musicais...


Já não vão a tempo de ver os Gotan que estiveram cá por duas vezes, só este ano - uma no Coliseu, outra no Festival de Oeiras... Pena porque foi muito bom...

Mas para quem gosta de terras do Algarve, talvez ainda chegue a tempo de ver hoje os Vague no Golf Club de Vilamoura, inseridos no tal "Allgarve Fest"... Aconselho vivamente, nem que seja pelas "covers" que fizeram de temas dos Depeche Mode, Joy Division ou The Clash... Se gostarem de Jazz e Bossa nova então, o dinheiro não será mal empregue...


Mas, como ainda vão todos a tempo de comprar bilhetes para o mítico Cohen - no Pavilhão Atlântico a 10 de Setembro- e para Goldfrapp - Coliseu a 22 de Setembro - de novo, garanto que não se vão arrepender...


Boas compras - de bilhetes: Cohen entre os 30€ e os 75€ e Goldfrapp entre os 30€ e os 35€- e "good vibes" com boa musica...


Se quiserem consultar qualquer uma das páginas de qualquer um destes grupos, aqui ao lado, em baixo, poderão fazê-lo: Enjoy... the music...

Estas sugestões "abriram-me o apetite", depois da pintura, acho que hoje ouve-se Nouvelle lá por casa e acaba-se com Cohen...

quarta-feira, agosto 11, 2010

Já fui importante... Agora não sei se serei.


Paul Jackson Pollock, morreu a 11 de Agosto de 1956 foi um pintor norte americano por quem tenho imensa admiração e, que é ainda hoje, uma das maiores referência do movimento expressionionista abstracto.

Como tudo o que poderia escrever sobre ele me parece menor, deixo-vos com uma das raras entrevistas que deu:

From: Jackson Pollock, "My Painting", in Pollock: Painting (edited by Barbara Rose), Agrinde Publications Ltd.: New York (1980), page 65; originally published in Possibilities I, New York, Winter 1947-8:

"I accept the fact that the most important painting of the last hundred years was done in France. American painters have generally missed the point of modern painting from beginning to end. (The only American master who interests me is Ryder.) Thus the fact that good European moderns are now here is very important, for they bring with them an understanding of the problems of modern painting. I am particularly impressed with their concept of the source of art being the Unconscious. This idea interests me more than these specific painters do, for the two artists I admire most, Picasso and Miro, are still abroad...

The idea of an isolated american painting, so popular in this country during the thirties, seems absurd to me just as the idea of creating a purely american mathematics or physics would seem absurd...

My painting does not come from the easel. I hardly ever stretch my canvas before painting. I prefer to tack the unstretched canvas to the hard wall or floor. I need the resistance of a hard surface. On the floor I am more at ease. I feel nearer, more a part of the painting, since this way I can walk round it, work from the four sides and literally be in the painting. This is akin to the methods of the Indian sand painters of the West.

I continue to get further away from the usual painter's tools such as easel, palette, brushes, etc. I prefer sticks, trowels, knives and dripping fluid paint or a heavy impasto with sand, broken glass and other foreign matter added.

When I am in my painting, I'm not aware of what I'm doing. It is only after a sort of 'get acquainted' period that I see what I have been about. I have no fears about making changes, destroying the iamge, etc., because the painting has a life of its own. I try to let it come through. It is only when I lose contact with the painting that the result is a mess. Otherwise there is pure harmony, an easy give and take, and the painting comes out well."

Amanhã pinta-se... bem, mal, não interessa, amanhã pinto o que sou, como sempre!

terça-feira, agosto 10, 2010

Arquitectura, Design, Arte...


Portugal preciso do estrangeiro para "fazer bonito". Os portugueses precisam de ir para o estrangeiro para serem profissionais.

O drama português adensa-se a cada ano que passa e, a cada passo que o português, volta a dar, em direcção a uma nova emigração. Desta feita, já não são os "bimbos" a emigrar, já não são "os homens das obras", agora emigram os nossos jovens licenciados. Talvez por isso o país se dê ao luxo de perder a sua identidade firmando Acordos Ortográficos e disparates "quejandos".


O Pavilhão de Portugal Esta com uma área de 2000 m2, tem uma fachada de cortiça, um material reciclável e ecológico. Tenta passar uma imagem positiva, ao mesmo tempo que mostra o comércio e a cultura nacionais: Portugal é o maior exportador mundial de cortiça. E parece que Portugal é apenas isso: exportador de meia-dúzia de "tarecos".

Se assim, não fosse como é que se compreende que no dia 1 de Agosto, após entrar no recinto de Portugal e de o visitar, um jovem chinês, afirme em entrevista desconhecer a história do seu país? Reparem que não menciono o nosso país! Quando entrevistado não sabia que Portugal e a China tinham sido "parceiros de negócios" mas, acima de tudo que tinham feito trocas culturais que vão muito além do esparguete que um italiano trouxe...

Camões viveu na China. Escreveu parte dos seus Lusíadas em Macau.
Foi à conta da nossa ida até lá que se recriou o mapa-mundo, com indicação da rota Lisboa-Cantão e que se cria o primeiro globo terrestre com a China.
O primeiro dicionário português-chinês é realizado entre 1583/88 pelos padres jesuítas.
É graças aos portugueses que hoje os ingleses bebem chá: difusão internacional do hábito do chá, foi feita através de um retrato de D. Catarina de Bragança.
Se hoje existe a porcelana e a "família azul-branca" é graças ao “Tratado das Cousas da China” de Frei Gaspar da Cruz, obra na qual se explica como se faz a porcelana.

Ainda assim, Portugal precisa dos outros para se afirmar enquanto "adulto" e dono de si! Portugal, afinal, não passa de uma pálida representação dos portugueses: precisamos do outro para sabermos que existimos. E assim, o que esperar de uma nação, de um povo?


A Expo 2010 ocupou o bairro de Pudong, que significa literalmente: a margem Este do rio Huangpu... Mas em compensação, descompensada, Portugal continua a estar a este do Paraíso...

segunda-feira, agosto 09, 2010

Musica, poesia...





Qualquer Coisa de Paz


Qualquer coisa de paz.
Talvez somente

a maneira de a luz a concentrar

no volume, que a deixa, inteira, assente

na gravidade interior de estar.

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,

uma ausência de si, quase lunar,

que iluminasse o peso. E a corrente

de estar por dentro do peso a gravitar.


Ou planalto de vento. Milenária

semeadura de meditação

expondo à intempérie a sua área


de esquecimento. Aonde a solidão,

a pesar sobre si, quase que arruína

a luz da fronte onde a atenção domina.


Fernando Echevarría, in "Figuras"

sexta-feira, agosto 06, 2010

Definições


Destino:

Aquilo que autoriza os crimes do tirano e serve de desculpa para os fracassos do idiota.

O destino fazêmo-lo nós. Normalmente custa. Mas com esforço não há nada que não se consiga... Claro que é sempre mais fácil sermos tiranos e idiotas!