terça-feira, junho 23, 2009

Ódio e Arquitectura...


Bernd e Hilla Becher no seu trabalho as “Esculturas" levaram à letra o mito da genialidade e a sua relação directa com o acto criativo.

É à conta do século XX, nomeadamente a partir das vanguardas históricas, nomes como os Delaunay, ou os Arp, que remetem sempre para as experiências artísticas a dois, entre marido e mulher. Mas, podemos ainda evocar, neste contexto, os trabalhos colectivos do grupo cubista de Gleizes e Metzinger, os dadaístas do Cabaret Voltaire, ou a prática surrealista dos Cadavre Excquis, que combinava, sob o lema freudiano do inconsciente, a participação plural em desenho e pintura... Mas não falemos de psicologia, nós por cá, andamos farta de gente louca.

O importante neste dupla, foi o desenvolvimento dos programas conceptuais, substituindo progressivamente o privilégio da expressão e da visualidade - ligadas sobretudo ao valor individual do acto criativo - possibilitou a ascensão de processos disciplinares mais complexos, originando uma maior e plural participação através da instalação ou da performance, contextos onde logicamente se revelou a maioria das duplas de artistas da segunda metade deste século.

Trata-se assim de analisar a forma de colaboração que leva dois indivíduos a não possuírem qualquer identidade fora da sua união. É no binómio que as diferenças e similitudes são levadas aos extremos e que o problema da autoria da obra de arte ganha maior acuidade... E isto, até mesmo sem ser analisado à lupa, dava uma bela monografia, imagem, analisado em termos psicanalíticos pelo puro prazer de compreender as complexidades das relações humanas...