terça-feira, abril 21, 2009

Ódio e Arquitectura...


Robert Smithson é dos tais que anda entre o tempo, entropia e arte... complicado? Também achei... depois procurei informação... Sim, que à excepção de uma ou outra "cabeça iluminada" ninguém nasce ensinado!!!!

Em 1970 Robert disse: O trabalho de arte não se colocam num lugar, é esse lugar.

Em Setembro de 1967, Robert Smithson pegou na sua máquina fotográfica e encetou uma viagem por Passaic, a sua cidade natal, convertida então num subúrbio deprimente de Nova Jérsia (na minha opinião todos os E.UA. são-o a seu devido tempo...). Contudo, as imagens e os textos resultantes desse exercício, publicados na revista Artforum (que consultei e fiquei maravilhada) como projecto artístico, revelaram a surpresa de uma paisagem ambiguamente fascinante, marcada pelos despojos de um território industrial desolado mas, não obstante, com grande capacidade de evocação... Fazendo jus ao "post" anterior", era bom que o amor (nas suas mais diversas formas, o filial, o amoroso... fosse assim)...

Porém, não seria nada disto que a viagem de Smithson interpretava, pelo contrário: esteticamente, as instalações industriais devastadas, como ruínas capazes de alcançar a imortalidade do monumento, assumindo aí a memória e a dignidade imersa de uma paisagem industrial esquecida e entrópica... muito mais haveria a dizer acerca destas palavras: imortalidade, dignidade, esquecida... mas não querendo aborrecer-vos ainda mais...

O importante é este foi o primeiro trabalho em que abordou directamente a noção de lugar como processo de desestruturação, relacionado com a erosão e a degradação industrial. Por outro lado, aí nascia a ideia de produzir arte a partir de uma nova espécie de "readymade": a terra, enquanto lugar em constante transformação.

"Um grande artista - escreve Smithson - pode realizar arte simplesmente com o olhar. Uma série de olhares podem ser tão sólidos como qualquer coisa ou lugar, mas a sociedade continua a valorizar apenas os objectos de arte". E isto faz-nos (na nossa simples vida, querer voltar a sítios, sem que tal nos dilacere de tal forma o "órgão batente" que, Robert, podia não ter alcançado mais nada na sua vida mas, deu-nos esta perspectiva de renovação que nem todo o artista dá... ou consegue dar!

Não podemos esquecer que a obra para um sítio específico evidencia que o lugar está em permanente mutação. É a própria intervenção artística que possibilita uma nova maneira de apreender e vivenciar o lugar, engendra novas significações e novos modos de ver. O espectador tem desse modo a sua capacidade de observação questionada, a percepção exige um trabalho: caminhar, investigar. Ver com os pés.

Robert Smithson é o mais importante precursor dessa estratégia vivencial e artística. Os lugares confirmam-se assim enquanto monumentos da natureza, como dimensões de espaço e tempo que transcendem a experiência e a capacidade cognitiva individuais. As operações pontuais que o artista exerce sobre elas não procuram adequar-se ao lugar, criar um sentido de identidade, mas confrontar o observador com a complexidade e a instabilidade dessas configurações de grande escala.

Não sou "do tempo" de Robert mas, ainda vou a tempo de ver os lugares, as dimensões, o espaço e todas as experiências que estes me vierem a proporcionarem: com os Meus pés!