terça-feira, março 31, 2009

Ódio e Arquitectura...

Hoje, por uma questão que mais à frente, explorarei, fala-vos de Eduardo Matos rapaz que, realiza os seus projectos artísticos no campo do desenho, da fotografia, da escultura e do vídeo. Um núcleo da sua obra é desenvolvido com experiências de trabalho que realiza em lugares específicos, improváveis e em extinção, mediante observações de contexto. Em Março e Abril, a Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, exibe o seu trabalho.... e apesar de isto poder ser já um prelúdio para as sugestões de quinta aqui do "burgo", não é (ainda que... sendo!)

A mostra intitula-se "Mesa" e nela Eduardo Matos apresenta cinco trabalhos realizados entre 2008 e 2009, com recurso a diaporamas, fotografia, desenho e escultura.... Atrevo-me a dizer: não percam?!?! Pois bem: não percam... se poderem... ter tempo!

Há uns tempos por estar em casa de uma amiga que ama, respira, e, por acaso, até é arquitecta (das que pratica a profissão), tive a oportunidade de ler a dissertação de Eduardo para o Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas, que realizou na Faculdade de Belas Artes do Porto, e achei interessante o facto de referir em relação ao desenvolvimento dos projectos, a importância que concede ao tempo, ao decorrer do tempo e à experiência da observação e da espera. Ela, por seu lado achou interessante as ideias que aquilo lhe dava para o seu doutoramento que irá começar amanhã na Holanda...

Contudo, e sem entrarmos em pormenores íntimos, o trabalho de Eduardo também está marcado por uma espécie de fascínio pelo silêncio... depois da noticia deste afastamento desta amiga, talvez tenha sido essa a razão única pela qual me centrei no seu trabalho... e talvez por isso me tenha vindo à memoria: gente! Gente que gostava de fotografar mas, nunca fez disso profissão. Gente que gostava de escrever mas, nunca fez disso "pão"... Gente!

Eduardo, para todos os efeitos fez o contrário: Conseguiu manter esse método de trabalho, sobretudo hoje quando a produção está orientada por valores opostos. Fazer da arte para se alcançar a mais ampla das liberdades.

E só por isso, hoje o Eduardo Matos, é só Eduardo. E só por isso vos falo de Eduardo. Não o conhecem, mas também, não será essa a sua maior virtude!