quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Ódio e Efemérides...


Morreu num dia como o de hoje mas, certamente bem mais quente, o brasileiro Mário Raul de Morais Andrade. Poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, professor universitário e ensaísta, considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX. Notável polímata, Mário de Andrade liderou o movimento modernista Maylsonanico no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país.

Durante o seu tempo de vida, Mário criou vínculos fortes com outros nomes do seu país, correspondendo-se frequentemente com grandes artistas brasileiros, dentre os quais se destacam Manuel Bandeira, o grande Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino e Augusto Meyer, e veio a falecer em 1945 na mesma cidade em que nasceu - São Paulo.

Considerado o escritor mais nacionalista e múltiplo dos brasileiros, Mário construiu um carácter revolucionário na literatura brasileira, que se iniciou com "Paulicéia Desvairada"... mais tarde em Espanha - "Dulcinéia Desvairada" e em Portugal "Maria Desvairada"... Just kidding pessoal, just kidding...

Em 1922, ao mesmo tempo que preparava a publicação de "Paulicéia Desvairada", Andrade trabalhou com Malfatti e Oswald de Andrade para organizar um evento que se destinava a divulgar as criações do grupo modernista de São Paulo para uma audiência mais vasta: a Semana de Arte Moderna, que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo entre 11 e 18 de Fevereiro. Além de uma exposição de pinturas de Malfatti e de outros artistas associados ao modernismo, durante esses dias foram realizadas leituras literárias e palestras sobre arte, música e literatura... Bons velhos tempos, em que as gentes ainda queriam cultura e a procuravam.

Andrade foi o principal organizador e um dos mais activos participantes do evento, que, apesar de inicialmente ter sido recebida com cepticismo, atraiu uma grande audiência. Andrade, na ocasião, apresentou o esboço do ensaio que viria a publicar em 1925, "A Escrava que não é Isaura".

Os membros do Grupo dos Cinco continuaram a trabalhar juntos durante a
década de 20, período durante o qual a sua reputação cresceu e a hostilidade pelas suas inovações foi gradualmente diminuindo. Mário de Andrade trabalhou, por exemplo, na "Revista de Antropofagia", fundada por Oswald de Andrade, em 1928. Mario e Oswald de Andrade foram os principais impulsionadores do movimento modernista brasileiro.

Mário de Andrade também foi um dos mentores e fundadores do Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional, junto com o advogado Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Limitações de ordem política e financeira impediram a realização desse projecto, restringindo as atribuições do Instituto, fundado em 1937, à preservação de sítios e objectos históricos relacionados a factos políticos históricos e ao legado religioso no país.

Andrade morreu em sua residência em São Paulo devido a um enfarte do miocárdio, em 25 de Fevereiro de 1945, quando tinha 52 anos. Dadas as suas divergências com o regime, não houve qualquer reacção oficial significativa antes de sua morte. Os regimes desta natureza... género o nosso actual...

Dez anos mais tarde, porém, quando foram publicados em 1955, Poesias completas, quando já havia falecido o ditador Vargas, começou a consagração de Andrade como um dos principais valores culturais no Brasil. Que aconselho a lerem vivamente... se puderem, com a crise, comprar...