terça-feira, fevereiro 17, 2009

Ódio e Arquitectura...


Durante anos Évora foi paragem escolhida e quase obrigatória para mim e alguns amigos sempre que queríamos passar um dia diferente no fim-de-semana. Mantenho as idas até lá ainda que, agora, seja cada vez mais esporádico. Tenho boas recordações desse tempo mas, espero, criar novas.

Foi talvez por isso que este projecto da Inês Lobo de transformar o departamento de Arquitectura e Artes Visuais (Universidade de Évora - Antiga Fábrica dos Leões) me intrigou.

Vai daí andei a ver o que iria ser uma vez que, recordo ainda bem, o que era... Na verdade a vista distante desde o centro histórico e a sequência de aproximação ao conjunto construído da antiga fábrica dos Leões permite perceber que o seu principal valor consiste, estranhamente, na excessiva volumetria imposta de forma abrupta sobre a planura. Dir-se-ia quase uma inesperada e insólita nova topografia - melhor que umas Amoreiras - mas, ainda assim faz de alguma forma lembrar um acidente no relevo da paisagem alongada, distendida, do Alentejo.

A implantação, vertical, na paisagem plana em redor de Évora lembra outros conjuntos edificados, no entanto de sentido inverso, contemplativo, introspectos, conjuntos monásticos como nos lembra a Cartuxa, bem próximo, ou Flor da Rosa, no Crato, e outros. Aqui, porém, há um sentido funcional que se sobrepõe a qualquer outro valor procurado à partida. O grande pátio, ou a vocação específica e pragmática que originou cada parte do conjunto dos Leões, é sempre função, objectivo, eficácia.

Apesar de não ser fã do projecto, este propõe-se devolver à estrutura existente o carácter austero e essencial que define o conjunto fabril, subtraindo divisórias e adornos sobrepostos ao longo do tempo. Retomando a simplicidade original como valor intrínseco da estrutura. Acima de tudo quer devolver uma utilização escolar de algo que já foi palco para outras aprendizagens... O que já não é mau!