quinta-feira, janeiro 22, 2009

Ódio e Sugestões...


Hoje, não só pelo mau tempo que se avizinha por todo o fim-de-semana mas, também porque adoro poesia sugiro, a nova reedição, há muito esperada de "Canções e Outros Poemas" de António Botto... poeta que ainda fez parte da família do lado da avó... Fino hem?! Mas não vão por mim, leiam e depois critiquem...

Já agora, a nova reedição das Canções de António Botto (1897/1959) faz justiça à obra de um grande poeta esquecido e colocado à margem no seu tempo.

“Eu não gosto do amor disciplinado por leis; / Entrego-me à liberdade do meu sentir sem / Temer as responsabilidades… / Tenho direito às minhas ideias embora / Não tenha direito à minha vida.”

Com assinalável coragem literária e sentido de liberdade, assumiu a condição de homossexual nos seus versos, razão principal da sua marginalização. Sem se ter vinculado a qualquer movimento, criou uma obra singular que entrecruza aspectos da literatura tradicional portuguesa com elementos da geração vanguardista.

O amor é o mote principal da sua poética. Segundo José Régio, Botto canta “tanto os aspectos superiores do seu amor como também os perversos e os simplesmente naturais, os mesquinhos e os complexos, os ridículos, em suma os viciosos, viciados ou viciáveis”.

Tema que surge tratado à luz de uma estética plena de sensualidade e voluptuosidade assente na relação entre beleza e desejo. “A beleza - / Sempre foi / Um motivo secundário / No corpo que nós amamos; / A beleza não existe, / E quando existe não dura. / A Beleza - / Não é mais do que o desejo / Fremente que nos sacode… / - O resto é literatura”.

O poeta sabe apenas que deseja e que tudo o mais é literatura. Literatura que encerra em si todo o universo e todas as coisas. Desde logo, a imortalidade de António Botto.