quarta-feira, janeiro 21, 2009

Ódio e Efemérides...


Sandro Penna nasceu em Perugia em 1906, cidade onde frequentou a escola comercial. Em 1929 partiu para Roma e lá passou quase toda a sua vida.

Por decisão própria teve sempre ocupações transitórias e de pouca importância, tendo vivido modestamente. Pobre e só (a maioria dos seus amigos já tinham morrido, inclusive, Pasolini), morreu em Roma a 21 de Janeiro de 1977.

Publicou livros de poesia com uma certa regularidade (alguma da sua poesia foi-me dada a conhecer mais tarde), ao mesmo tempo que revia e antologiava as suas obras anteriores.

Em 1939, publica em Florença o seu primeiro livro de poemas, Poesie, e colabora com algumas revistas da época, como Letteratura e Il Frontispizio. Em 1950 edita-se o seu segundo livro, Appunti, e em 1956 Una strana gioia di vivere. No ano seguinte aparece a primeira compilação dos seus livros anteriores em Poesie, de que aparecerá uma segunda edição anos mais tarde.

Em 1973 publica também um livro de contos Un po’ di febbre, e no final da vida edita L’ombra e la luce (1975) e Il viaggiatore insonne (1977).

Deixo-vos um dos poemas de Penna que mais gosto...

As portas do mundo não sabem

As portas do mundo não sabem
que lá fora a chuva as procura.
As procura. As procura. Paciente
afasta-se, regressa. A luz
não sabe que há chuva. A chuva
não sabe que há luz. As portas,
as portas do mundo estão fechadas:
fechadas para a chuva,
fechadas para a luz.