terça-feira, janeiro 06, 2009

Ódio e Arquitectura...

Alturas houve em que era uma "moçoila" muito dada às artes marítimas, aos "nós" e às coisas emaranhadas... Depois, como tudo o que sofre mudança de humor desenvolvi outros interesses, mais emaranhados ainda... Porém, os restícios do passado, não deixam de me admirar e portanto, foi com prazer que descobri um museu que é a "minha cara", ao mesmo tempo: é uma obra arquitéctonica, por outro lado, aliou-se à marinha num daqueles sítios que se julga que por lá não se passa nada... Falo do projecto de ampliação e remodelação do Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), da autoria do gabinete de arquitectura ARX, Lda., dos irmãos Nuno e José Mateus.


Distinguido com o prémio AICA/MC 2002 da Associação Internacional dos Críticos de Arte do Ministério da Cultura, nomeado para o prémio SECIL 2002 e para o prémio da União Europeia para a Arquitectura Contemporânea 2003/Mies Van Der Rohe, o projecto da ARX Portugal, contemplou uma profunda remodelação da estrutura existente, numa obra total, que dignifica a importância social, económica e cultural da pesca na região, impulsionando uma necessária requalificação urbanística envolvente.

Para trás, ficaram, claro está outros interesses das pessoas que por lá vivem... Mas isso são outras conversas...

No entanto e, possivelmente por ser um projecto arquitectónico arrojado, a Câmara Municipal de Ílhavo não pode dizer que não. Assim, efectuou-se uma profunda remodelação do edifício existente, reformulando a sua estrutura, espaços, instalações e imagem em geral, amplificando a área bruta sensivelmente para o dobro da do edifício existente. A sua implementação, vá lá, respeitou na rua o alinhamento existente não tendo havido portanto, uma "Taveirada amalucada", criando-se inclusive, um engraçado e bem conseguido, jardim interior.

Ainda que compreenda a grandeza do projecto e até a sua "beleza arquitectonica" é inegável a uma austeridade e a constância do negro da sua volumetria. Explicam isto com um significado "pleno de maritimismos insinuados, como homenagem aos heróis (já celebrados ou ainda anónimos) das pescarias longínquas do bacalhau e demais fainas marítimas dos ilhavenses; como elo de comunicação com as novas gerações; como elo dinamizador da própria renovação do Museu enquanto instituição cultural capaz de atrair novos públicos."

No meu gosto (assaz duvidável) o MMI não é particularmente belo, ainda que não "fira" de facto, a vista como alguns "mamarrachos" que por aí proliferam em "voz grossa" por Lisboa "adentro". Contudo, para os conhecedores o MMI é um excelente exemplar de arquitectura moderna, já distinguido em Portugal e no estrangeiro. No estrangeiro é inclusive isto como "imponente e vigoroso na sua composição volumétrica, combinando de forma sábia linhas, volumes e luz. Interpelante e experimental", assim, o MMI permite apreciar e descobrir em cada visita um novo detalhe, um novo traço, uma nova perspectiva... Um pouco como a vida!

O meu conselho: visitem, verifiquem e dêem a vossa opinião.