quinta-feira, julho 12, 2007

Ódio e Efemérides...


Foi num dia igual ao de hoje... e daí talvez não, que Desiderius Erasmus Roterodamus, conhecido como Erasmo de Rotterdam morreu...
Libertou-se e foi...
Mas antes produziu, ainda que, esta tenha começado relativamente tarde na sua vida. Apenas quando dominou o Latim é que começou a escrever acerca de grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião.
A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo. Acredito que a intenção do seu trabalho talvez fosse pura mas, já na altura as pessoas não o eram como tal, o cristianismo na sua vertente tradicional talvez estivesse mais bem aplicado e ajustado às mentes, que, já na altura, eram (algumas) menores...
Adiante, para não vos cansar, a sua obra mais conhecida, "Praise of Folly" ("Elogio da Loucura"em grego Morias Engomion (Μωρίας Εγκώμιον) em latim Stultitiae Laus), foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More.
O livro começa com um aspecto satírico para depois tomar um aspecto mais sombrio, numa série de orações, já que a loucura aprecia a auto-depreciação, e passa então a uma apreciação satírica dos abusos supersticiosos da doutrina Católica e das práticas corruptas da Igreja Católica Romana. O ensaio termina com um testamento claro e por vezes emocionante dos ideais cristãos.

O ensaio é repleto também de alusões clássicas, escritas no estilo típico dos humanistas do Renascimento. A Loucura compara-se a um dos deuses, filha de Plutão e Frescura, educada pela Inebriação e Ignorância, cujos companheiros fiéis incluem Philautia (amor-próprio), Kolakia (elogios), Lethe (esquecimento), Misoponia (preguiça), Hedone (prazer), Anoia (Loucura), Tryphe (falta de vontade), Komos (destempero) e Eegretos Hypnos (sono morto).
Belos companheiros portanto estes da Loucura... fica aqui a reflexão de que a Loucura de facto, está repleta de mediocridade.
Julho quente, seco e ventoso, Ódio sem repouso!

21 comentários:

Thunderlady disse...

O Elogio da Loucura é um dos livros que tenciono ler... quando for mas madura.

Me Hate disse...

Pois eu... desta descrição de Loucura já tenho q.b. na vida privada, profissional... eu sei lá... malditos todos os Erasmus e afinses!!!!

O Carmo e a Trindade disse...

Num lado Dead end no outro Erasmus. Estou a ver que estes blogs andam demasiado deprimentes ultimamente.

Me Hate disse...

Estará a referir-te ao meu blog e ao da thunder???? Não queira 2 inimigas de peso e by the way, fui ler o seu blog ainda à pouco e olhe que também tem muito que se lhe diga em termos de depressão... Irra! Depois lá vai tendo umas tiradas mais humoristicas nos comentários mas, ainda assim...

PCS disse...

...por vezes tenho ataques de Philautia. Gostava de receber mais Kolakia, mas as pessoas tomam muito Lethe ou então têm Misoponia e Hedone. Grande Anoia, não tenho Tryphe para fotografias e o meu jantar ficou Komos assim. Estou com o meu Eegretos Hypnos. Preciso de um médico!!!

Me Hate disse...

Tu precisas de médico???? Não brinques com coisas sérias...

Com a quantidade de Anoia que ultimamente me tem assaltado, tenho tido imensos Komos, pouco Hedone e uma imensa Tryphe para fazer seja o que for...

Dispenso, francamente, os Kolakia e aquilo que queria mesmo era ter algum Lethe das ultimas coisas que me têm sucedido.

Não tenho por isso mesmo tido grandes Eegretos hypnos, pelo contrário... e como toda esta Anoia me lança constantemente para uma Misoponia inexplicável... tento combate-la da melhor forma...

Assim, ontem, mesmo depois de 12 horas de trabalho lancei-me na aventura de ir até à Esplanada da Cinemateca ver o filme do Takeshi Kitano "Uma cena junto ao mar"...

Vim de lá com um pouco menos de Anoia... valeu-me também, julgo, a companhia inesperada de um amigo e a boa disposição que depois criámos num fim de noite, na esplanada do Café do Principe real... aquela hora nocturna, qualquer um dos dois, quase vencidos por um dia de trabalho complicado... a falarmos acerca do de sermos mundo, acerca daquilo que nos falta, dos projectos e banalidades diárias...

Ainda assim, no meio de uma esplanada quase a fechar, em que os empregados iam dizendo simpaticamente: deixem-se estar! Rimos e quase choramos... por destino no fim da noite termos tido a presença imprevista dos empregados e das historias mirabolantes por eles contadas...

Caminhou-se ainda por um bairro a altas horas que por estarmos tão centrados um no outro, estava inexplicavelmente silencioso... Despedimo-nos com um até já...

A noite correu um pouco Eegretos depois de isto... E dizes tu que precisas de médico...

Thunderlady disse...

Carmo, nada de depressões, pelo menos para os meus lados.

Mas com odiz a Me Hate o teu não anda lá muito animador, não...

Me Hate disse...

A carmo, tou cá com um feeling que é bipolar ou algo do género... repara: posts muita do freaks e deprimentes... Comentários muita do "up" e tá-se bem! Weird miuda!!!!

Thunderlady disse...

Sim, um "cadito" weird... Cada com as suas "weirdnesses".

Me Hate disse...

Yep, yep...

múltiplo comum disse...

Sim, a loucura está repleta de mediocridade. Mas olhe q o Erasmo, aquele q aqui justamente homenageia, termina o “Elogio da Loucura” de uma maneira bem upbeat:

“Wherefore farewell, clap your hands, live and drink lustily, my most excellent disciples of Folly.”

Enfim...

:))

PCS disse...

Agora mais de um(a) psico:)

Me Hate disse...

Múltiplo: mas só Erasmo para termminar o Elogio desta forma dado que, em meu entender, aquela foi uma obra narcisica e que abordava questões do próprio... muito bem conseguida claro está, e até, algo "disfarçudamente" mas uma característica que, quem estude a personagem, facilmente entenderá que é também dele e das suas questões, que se fala!

Me Hate disse...

Pcs: lamentavelmente... se assim for! Contudo, mais importante: MAIS um(a) com visão e isso meu caro, vai sendo raro... tão raro que é sempre de aproveitar e pedir: vem mais, mais vezes, mais comentários, mais provocações mas vem... ;)

múltiplo comum disse...

"narcisismo" parece ser tema recorrente...j� o terei lido a prop�sito de outro comment...

n�o acha que "narcinismo" � uma palavra mais gira?

:))

Me Hate disse...

O ver... E agora vai ser uma tourada... Prepare-se... ;)

Quando falava de narcisismo referia-me (mesmo ao do Erasmo) a um tipo de narcisismo saudável que permite que o indivíduo equilibre a sua percepção as suas necessidades em relação às de outrem o que fará, em principio, que a relação perdure, evolua... em excesso é estado patologico!
Crê que será o que se passa aqui no burgo?????

Quanto ao cinismo... a coisa complica teriamos de falar de Sócrates e de um discipulo em particular do qual, lamentavelmente não recordo o nome (e logo depois iriamos ter uma violenta discussão acerca do estado do mundo português ;)

Ainda assim... eram tipinhos estranhos que acreditavam que a felicidade não depende de nada externo à própria pessoa, ou seja, coisas materiais, reconhecimento alheio e mesmo a preocupação com a saúde, o sofrimento e a morte... Ora bem, ainda que concorde que a felicidade intrinseca esteja em nós, acho que aquela felicidade também Paris Hilton, (no sentido do dinheiro e daquilo que ele proporciona) também é bem bom de se ter...

Assim... aqui, talvez sejamos um pouco narcisicos mas... ... acho que não... Penso! Ou não...

mor disse...

Mas que culta!!! Adoro estes escritos recheados de intelectaulidade... Bem tento perceber sem sombra de Êxito...

Me Hate disse...

Que disparate! Já deu mostras, noutros espaços (e alturas) que também está repleta de intelectualidade, como tal, não se compreende essa modéstia repentina, a não ser que seja ironia! ;)

mor disse...

Afinal uma bolha é sempre uma bolha...
bolha s. f.
3ª pess. sing. pres. ind. de bolhar
2ª pess. sing. imp. de bolhar
do Lat. bulla, esfera oca

Me Hate disse...

Mor... se o sermos ocos fosse mau então pobres de nós que ao nascermos somos todos tábua rasa... e entretanto a tábua vai sendo preenchida... não têm de ser livros, não têm de ser filmes... pode ser só história de vida!

No meu trabalho tenho utentes que não sabendo ler nem escrever, têm um riqueza humana superior a muita gente que conheço, que lê imenso, que pensa imenso e no entanto... há um todo de vazio de pensar, pelo menos num dia da suas vidas, naquilo que é ser-se humano!

Somos como somos... mas podemos sempre optar por sermos mais! Ou não... ou não! ;)

somebody disse...

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