terça-feira, julho 31, 2007

Ódio e Arte...

(Auto-retrato)

(Icarus Esso)

Jean-Michel Basquiat começou fazer graffitis aos 16 anos, nos metros e muros de Manhattan, e acabou tornando-se num dos maiores artista internacional de vanguarda da década de 80.


Na infância sofreu um acidente e por forma a entrete-lo durante a recuperação, a sua mãe deu- lhe um livro de anatomia. Isso acabou, de alguma forma por influenciar a sua arte, pois é sabido que muitas das suas obras tinham muitos detalhes anatómicos.

Os seus primeiros graffitis nas ruas eram assinados como SAMO (abreviação de "same old shit"), pseudónimo que Basquiat e do seu colega Al Diaz criaram. Em 1980 parou de grafitar e começou a pintar telas. Nesta época escreveu pelas paredes de toda Nova York: Samo morreu.

Basquiat era um tipo reconhecidamente alucinado no bom e no mau sentido da palavra mas achava que as pessoas são muito ligadas ao material e advogava que devíamos estar mais voltados para o espiritual, não estava errado de todo...
Dizia que a classe média se preocupava muito em mostrar o que não tem, com roupas caras, e que só faltava andar com etiquetas expostas para se exibirem ainda mais.

Foi um amigo pessoal de Andy Warhol, não sendo isso de admirar para quem conheça o seu trabalho e daí que tenha compartilhado técnica e inspiração.
O que tal vez me tenha impressionado/comovido mais ao ver o seu trabalho (depois de alguma pesquisa) foi a representação infantil da grande cidade de Nova Iorque, que na sua perspectiva dá vontade de conhecer... e eu, como é sabido abomino tudo o que tenha a ver com "amuricanos".
Espantei-me, em alguns casos, com a fúria sombria, a revolta e a indisciplina, que transparecia nas suas telas. Telas essas ao mesmo tempo uma forma de escrita, como se fossem um jogo de palavras.

Basquiat, foi, segundo reza a historia, uma aparição deslumbrante mas efémera do mundo das artes plásticas.

A sua obra agrada-me talvez pelo estado de espírito característico da minha pessoa, pelas representações que ilustram um desprezo total por qualquer tipo de unidade visual tradicional. A indiferença em relação à perspectiva e a posição infantil em relação ao estilo são características suas. Algum desprezo pela humanidade, sobressai também em algumas das suas obras... O Icarus Esso é de alguma forma prova do atrás enunciado.

Autodidacta, Basquiat, era um artista com conhecimento das técnicas e formas de arte. Frequentador de museus, desde criança estava a par das criações estéticas do século.

Para não fugir ao mito e ao esperado, faleceu em 1988, vítima de overdose de heroína, em seu estúdio, um ano depois de Warhol.
O Ódio é de prata e o silêncio é de ouro.

segunda-feira, julho 30, 2007

Ódio musical passado... How do you feel - Vanessa Daou

Oficio de Amar

Já não necessito de ti
Tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
Tenho o grão doente das cidades erguidas no principio de outras galáxias, e o remorso

Um dia pressenti a musica estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
É lentíssimo esse amor progredindo com o bater do coração
Não, não preciso mais de MIM
Possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
Deixei de estar disponível, perdoa-me
Se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.

A. Berto

sexta-feira, julho 27, 2007

Odio em versão Diabolica e em dicionário...


Administração:
n. Em política, uma engenhosa abstracção, concebida para receber os pontapés e as lambadas que o Primeiro-Ministro e o Presidente deviam levar.

Isto faz-me, dissertar, infelizmente, acerca do nosso governo, país... ... ...
Na minha modesta opinião, em termos políticos isto no nosso País só poderia ser resolvido da seguinte forma:
  • Em termos de Poder: só se for o Judiciário.
  • Em termos de Forma de Governo: só concebo uma Anarquia.
  • Em termos de Regime e Sistema: só lá vai com um Absolutismo.
  • Em termos de tipos de Poder: creio que o mais adequado seja Oclocracia.
  • Em termos de Classes de Estado: seria bom se fossemos um Protetorado.
  • Em termos de Conceitos: haveríamos de ser uma Tirania.
  • Em termos de Processo: o melhor seria a coisa mais radical e portanto, o Golpe.
  • Em termos de Divisões Administrativas: acho que o melhor era ser tudo Condados.
  • Em termos de Cargos e Postos: o mais adequado é, sem duvida o Intendente (refiro-me à zona mesmo e portanto, a toda a gente que por lá pulula).
  • Em termos de Disciplinas: antevejo uma brilhante Metapolítica, sobretudo se o que foi atrás dito for realizado...
  • Em termos de Ideologia: julgo que seria positivo um Fascismo para contrabalançar com a Anarquia já enunciada.
  • Por fim, em termos de, Atitudes: poderá ser um Pluri, Bi e Unipartidarismo que porra, cada um tem o direito de ser e estar com quem lhe apetece...

E se é para dar cabo desta coisa a que pomposamente chamam de Portugal: Siga pra BINGO!

Ódio parado, não faz viagem.

quinta-feira, julho 26, 2007

Ódio e Sugestão...


Na continuação daquilo que foi a minha noite de ontem, aconselho-vos hoje um menu teatral com este titulo esfíngico e com um enredo que ainda mais misterioso mas, que podem consultar aqui: http://www.casaconveniente.pt/


De seguida, se ainda tiverem "tempo" dêem a hipótese ao magnifico "A Herança do Vazio" de Kiran Desai (vencedora do Booker Prize 2006)... Acabei de o ler ontem depois de por fim, ter uma noite de insónia produtiva... fiz ainda a "conselho de amigo" o meu mais horrífico quadro em pasteis e acrílicos, bem visto que antes do banho o mesmo já estava à guarda do caixote do lixo!
"Apenas uma semana ou duas depois, eles já eram pedintes descarados, implorando mais.
- Nariz? - Ele beijo-o.
- Olhos? - Olhos.
Orelhas? - Orelhas.
- Dedos. - Um, dois, três, quatro, cinco.
- A outra mão por favor. Dez beijos.
- Dedos dos pés?
Eles associavam palavras, objectos e afecto numa recuperação da infância, numa confirmação da plenitude, como no principio...
Braços, pernas, coração...
Eles tranquilizavam-se mutuamente, garantido que todas as partes dos seus corpos estavam onde deviam estar."
Apenas para quem gosta de se perder em si...
Ódio parado, não faz viagem.

quarta-feira, julho 25, 2007

Ódio e Efemérides...












Confesso que hoje, estive indecisa entre falar-vos de Samuel Taylor Coleridge e de Albert Mangelsdorff, ambos morreram no mesmo dia claro está mas com alguns anos de diferença (171 anos para se mais precisa)...

O segundo foi um trompetista de renome que em muitos sentidos modernizou e inovou a forma de se tocar jazz, foi sobretrudo brilhante na execução da prática daquilo que os americanos apelidam de multiphonics technique.
O primeiro, por seu lado foi um poeta, crítico e ensaísta inglês. Considerado, juntamente com o seu colega William Wordsworth, um dos fundadores do Romantismo na Inglaterra. Tendo influenciado de forma inequívoca autores tão reconhecidos como Quincey, Byron e Shelley.
Não irei desta feita, alongar-me em descrições acerca da vida que qualquer um deles levou porque creio que isso, hoje a terem interesse, podem vocês fazê-lo e, na maioria dos casos, espero, até com mais sucesso do que eu.
Bastará então dizer que Coleridge era considerado um espirituoso conversador e que, segundo os seus amigos, dizia-se que vivia entre metáforas e sonhos. Stopford Brooke assim o definiu: “Tudo o que merece ficar de Coleridge poderia ser reunido em vinte páginas e estas vinte páginas deveriam ser encadernadas em ouro!” e se na altura se tivesse cruzado com Mangelsdorff, certamente teria fumado o seu ópio e Mangelsdorff o seu brandy, teriam dissertado acerca das mulheres que foram tendo, dos amigos que foram perdendo e das banalidade da vida e... numa qualquer madrugada, certamente comporiam uma música qualquer que ficaria para a história...
Ódio parado, não faz viagem.

terça-feira, julho 24, 2007

Ódio e Design...


É sabido por alguns desconhecido para a maioria, que eu tenho um conceito de Casa um tanto ou quanto particular... Casa não é conceito físico de estar ou de viver, ou sequer de ter tecto, isso no meu, ironicamente, limitado campo de visão será, na melhor das hipóteses: um sitio, que poderá ser mais ou menos habitável...


Assim, fará sentido, pelo menos para mim, o conceito que Andreas Angelidakis, tem de design e reciclagem das coisas que se fazem com um propósito de, exactamente, não serem permanentes.

Andreas tem assim, trabalhado em torno do conceito de habitáculo, provisório. E as suas estruturas assumem, quase sempre, as proporções próprias que são exigidas para a manipulação de um objecto.

Ou seja, na verdade, as construções de ngelidakis mais parecem objectos. O arquitecto criou um habitáculo, a que deu o nome de Philosophy, que se assemelha àqueles jogos para crianças, feitos em lego, ou às primeiras experiências que nos revelam as variações das peças Meccano.



Já algures se falou do actual desejo de “cunhar” os objectos que adquirimos com as nossas referências e a urgência em personalizá-los cada vez mais. Fazendo com que nos distingam dos demais com os quais nos relacionamos.

A poderosa ânsia de personalização, o kit, o “do it your self” (DIY) ocorre e é fruto de uma reacção a um período de “castração”, que foi e ainda o é o da industrialização, e a globalização. Lembremo-nos, por exemplo, do ninho Tak, de Frank Tjepkema. Exibido em Milão, em 2004. Servia para nos refastelarmos demoradamente, ou descansar, tal qual um poof, mas formado antes por pequenas peças amontoadas, feitas em borracha, e que mimetizam os ramos que se vão acumulando nos ninhos. Num processo do actual bricoleur o utilizador da peça vai aglomerando os ramos até atingirem as proporções desejadas.


Talvez tenha chegado então, por fim, um conceito de tecto que me agrade mais dado que, o de Casa, nos dias que correm parece estar cada vez mais mutável...


Ódio parado, não faz viagem.

segunda-feira, julho 23, 2007

Ódio musical passado... Madredeus - Vem!

O Amor Em Visita

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite. Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele – imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
– Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
– Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
– Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra – invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida – e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira – para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
– Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
– Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
– o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
– E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
– No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
– Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
– aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
– no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

H. Hélder

sexta-feira, julho 20, 2007

Ódio na versão Diabólica e em dicionário...


Adivinhação:
n. Arte de meter o nariz no oculto. Há tantas espécies de adivinhação quanto variedades frutíferas de estúpidos-em-flor e de cretinos precoces.
Hum... isto deixa-me, ao mesmo tempo que pacificada, porque por fim, sei o meu nome, deixa-me algo preocupada, porque não sei qual dos dois serei... Não obstante, e correndo o risco de estar errada (bolas, não tenho o poder da adivinhação em mim!) acho o nome "estúpida-em-flor" adequado e, ao mesmo tempo mais poético por isso... Siga!!!!!
Próximo?
Ódios arrufados, ódios dobrados.

quinta-feira, julho 19, 2007

Ódio e Efemérides...


Morreu num dia... e parece que foi como o de hoje mas há muitos séculos: Filipa de Lencastre nascida em 1359 tendo falecido, a 19 de Julho, 1415, princesa inglesa da conceituada (na altura e ainda hoje) casa dos Plantagenetas (belíssimo nome!) sendo filha de João de Gant, 1º Duque de Lencastre e da sua mulher Branca de Lencastre.
Torna-se rainha consorte de Portugal através do seu casamento com o rei D. João I, celebrado em 1387 na cidade do Porto. Como era costume na altura, o casamento foi efectuado por uma questão de interesse, desta feita, no âmbito da aliança Luso-Inglesa, contra o eixo França-Castela. Terá sido, o nosso primeiro erro estratégico-político porque mais tarde, em pleno século XX verificamos que os ingleses nada mais são do que o "Cavalo de Tróia" dos americanos na Europa.
Foi uma rainha generosa e amada pelo povo, ou pelo menos é o que nos conta a história. Mas sobretudo, os seus filhos, serão sempre lembrados dado que, constituíram Ínclita geração tendo na sua maioria sido príncipes cultos e respeitados em toda a Europa:

Duarte, Rei de Portugal (1391-1438).

Pedro, Duque de Coimbra (1392-1449, morto na Batalha de Alfarrobeira, foi regente de Afonso V, seu sobrinho; considerado o príncipe mais culto da sua época.

Henrique, Duque de Viseu (1394-1460), o grande impulsionador dos Descobrimentos portugueses.


Isabel de Portugal (1397-1471), casada com Filipe III, Duque da Borgonha, actuou em nome do marido em vários encontros diplomáticos e é considerada como a verdadeira governante da Borgonha no seu tempo. Em honra deste casamento, o Duque criou a Ordem do Tosão de Ouro.


João, Infante de Portugal (1400-1442), condestável de Portugal e avô da rainha Isabel de Castela e do rei Manuel I de Portugal.


De todos, claro está, que o que estimo mais é Fernando, o Infante Santo (1402-1433), porque, possivelmente sofrendo de alguma doença mental, desconhecida na época: morre no cativeiro em Fez, depois de recusar entregar Ceuta em troca da sua própria liberdade... Houvesse na altura ONG´s de qualidade e nada disto teria acontecido... enfim, perdeu-se Fernando, perdeu-se Fez... e fomos entretanto, perdendo o que faz de nós povo (?) com cultura (?).

Valeu a Dona Filipa não assistir a esta "leviandade filial" dado que, Filipa morre de peste negra nos arredores de Lisboa, poucos dias antes da partida para a expedição a Ceuta.

Ódios arrufados, ódios dobrados...

quarta-feira, julho 18, 2007

Ódio e sugestões egocêntricas!


O Sushi Meeting foi oficialmente inaugurado!
Há sushi e sushi há provar e querer mais!

Ódio e Sugestão...


Já não vou a tempo de sugerir aquilo que ontem à noite foi uma noite intimista passada no Frágil ao som do novo albúm do Rodrigo Leão de seu nome "Lisboa" e que conta com a participação de Rogério Samora, Paulo Abelho e Gabriel Gomes, um projecto que é também "filho" da mais nova editora discográfica nacional. Contudo, o que por lá se ouviu, é altamente aconselhado comprar para se saborear num sistema de som perto de si...


Creio que também interessante poderá vir a ser a exposição que se encontra no MUDE - Museu do Design e da Moda. Colecção Francisco Capelo (Sala do Risco - Largo de Santo António à Sé, 22) com o bem sucedido nome "No Feminino". Por lá, propõem-se diferentes leituras sobre os caminhos do design do séc. XX, e diferentes perspectivas dos trabalhos que vivem entre o insinuado e o exposto, o afirmado e o sugerido, convocam o lúdico e/ou disfuncional, deixando um vasto campo à fantasia, ao riso e à imaginação. A natureza comunicacional do design é o valor a sublinhar. O horário não é agradável mas, dá para darmos lá um pulinho na hora de almoço... A ver de Segunda a Sexta das 10h às 18h.



Last but not least: proponho uma ida à Feira da Ladra (às Terças e Sábados das 6h às 18h é um antigo Mercado Franco de Lisboa, com raízes que remontam ao século XIII, no Campo de Santa Clara) para a maioria o local é conhecido mas, as suas ruas mas recônditas talvez não...
Comprem-se então uns "achados" e deambulemos por essas ruas... aproveitemos para nos perdermos e descobrir cafés em montes inusitados e bistrôs de ginja recuperados... Encontremos um pouco mais abaixo talvez, sítios de esplanadas agradáveis em becos escondidos onde comer sardinhas, é estar em família...
Ódios arrufados, ódios dobrados.

terça-feira, julho 17, 2007

Ódio e Arte...

(GALATEA)
O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica.
Tinha uma reconhecida paixão por atitudes e por fazer coisas extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, uma vez que a sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho no que à notoriedade diz respeito.
Dali sempre terá reconhecido aparte dessas atitudes, nos tais momentos sóbrios, que só depois de "captar" a atenção de Gala Éluard, e portanto, só depois de estabelecer uma relação com esta é que terá entendido o verdadeiro sentido da vida. Mais, só ela terá extinto o receio que Dali teria pelas mulheres. Gala será para Dali o que foi Fornarina para Rafael ou a duquesa de Alba para Goya.
A musa pressupõe essa exclusividade e como suplemento dá-lhe ainda "(...) a ordem que faltava à minha vida." O próprio assume que "Eu existia apenas num saco cheio de buracos, mole e delicado, sempre à procura de uma muleta. Ao juntar-me a Gala encontrei uma coluna vertebral e, ao fazer amor com ela, preenchi a minha pele. Ao assinar os meus quadros Gala-Dali não fiz mais do que dar um nome a uma verdade existencial, visto que sem o meu gémeo Gala não existiria de modo algum.”
Gala é então, quem o disciplina, o inspira e dirige a sua existência prática. Na sua Vida Secreta, Dali afirma que, sem Gala, não seria nada.
Quantos de nós poderemos afirmar o mesmo?
Quantos de nós alguma vez nos sentimos desta forma tão sublime preenchidos?
Este tipo de amor É bom! Louco, desvairado, que consome mas, bom. Muito!
Amores arrufados, amores dobrados.
Versão SHM: Ódios arrufados, ódios dobrados... mas hoje queria mesmo colocar o provérbio certo!

segunda-feira, julho 16, 2007

Ódio musical passado... Edwin Collins - A girl like you!

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco"
e as "pintas nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam o brilho nos olhos,
sorrisos e soluços,
corações aos tropeços, sentimentos...

P. Neruda

sexta-feira, julho 13, 2007

Ódio na versão Diabólica e em dicionário...


Adiamento:
n. Suspensão das hostilidades contra um assassino condenado, com o objectivo de permitir ao Executivo descobrir se o crime pode ter sido perpetuado pelo advogado de acusação.
Qualquer pausa no processo de uma experiência desagradável.
E então... pessoal da blogesfera que por aqui passa e não deixa comentário ou que, quando o faz, fá-lo de forma desagradável: Vamos fazer um Adiamento???? Vá lá!!!! Tentamos?????
Julho quente, seco e ventoso, Ódio sem repouso!

quinta-feira, julho 12, 2007

Ódio e Efemérides...


Foi num dia igual ao de hoje... e daí talvez não, que Desiderius Erasmus Roterodamus, conhecido como Erasmo de Rotterdam morreu...
Libertou-se e foi...
Mas antes produziu, ainda que, esta tenha começado relativamente tarde na sua vida. Apenas quando dominou o Latim é que começou a escrever acerca de grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião.
A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo. Acredito que a intenção do seu trabalho talvez fosse pura mas, já na altura as pessoas não o eram como tal, o cristianismo na sua vertente tradicional talvez estivesse mais bem aplicado e ajustado às mentes, que, já na altura, eram (algumas) menores...
Adiante, para não vos cansar, a sua obra mais conhecida, "Praise of Folly" ("Elogio da Loucura"em grego Morias Engomion (Μωρίας Εγκώμιον) em latim Stultitiae Laus), foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More.
O livro começa com um aspecto satírico para depois tomar um aspecto mais sombrio, numa série de orações, já que a loucura aprecia a auto-depreciação, e passa então a uma apreciação satírica dos abusos supersticiosos da doutrina Católica e das práticas corruptas da Igreja Católica Romana. O ensaio termina com um testamento claro e por vezes emocionante dos ideais cristãos.

O ensaio é repleto também de alusões clássicas, escritas no estilo típico dos humanistas do Renascimento. A Loucura compara-se a um dos deuses, filha de Plutão e Frescura, educada pela Inebriação e Ignorância, cujos companheiros fiéis incluem Philautia (amor-próprio), Kolakia (elogios), Lethe (esquecimento), Misoponia (preguiça), Hedone (prazer), Anoia (Loucura), Tryphe (falta de vontade), Komos (destempero) e Eegretos Hypnos (sono morto).
Belos companheiros portanto estes da Loucura... fica aqui a reflexão de que a Loucura de facto, está repleta de mediocridade.
Julho quente, seco e ventoso, Ódio sem repouso!

quarta-feira, julho 11, 2007

Ódio e Sugestão...



Esta semana para os mais audazes aconselho este livro que comprei e já comecei a ler e para já... é bom. Muito. Mesmo!

Fala, no entanto, acerca da morte e é necessário ter algum... estômago...

Porém, Roth é talvez dos autores contemporâneos mais premiados, contando-se, entre outros, o Prémio Pullitzer, com A Pastoral Americana, o National Book Award e por 3 vezes recebeu o Pen/Faulkner, o último com este Todo-o-Mundo. Apenas lhe falta ganhar o prémio Nobel da Literatura... Talvez seja desta.


Para pessoas que nesta altura estejam com eventuais problemas de estômago, então a sugestão vai para o teatro com a peça "A Outra e o Triângulo" em jeito de critica à sociedade Já do sec. XXI e que assumo é a minha escolha porque conheço uma das actrizes (Mariana Sarabúa, aqui na foto) e, como tal os bilhetes... são gratuitos!
Lamento, mas por cá não se "nada" em dinheiro...
A peça está em cena de 2007/07/12 até 2007/07/21, de Quinta a Sábado às 21h30. Endereço: Avenida Gomes Pereira, 17
(MAIS) Uma coisa boa: a peça está no Auditório Carlos Paredes que fica em Sintra... podem sempre passar por lá, comer um travesseiro, apanhar o eléctrico até à Praia das Maçãs, petiscar algo, voltar e ver a peça...
Julho quente, seco e ventoso, Ódio sem repouso!

terça-feira, julho 10, 2007

Ódio e Arte...

Quem conhece os trabalhos de João Mendes Ribeiro poderá fácilmente afirmar que este não tem limites na sua expressão artística.

Tem vindo a ser um arquitecto/cenografo que tem experimentado na prática os efeitos da contaminação de disciplinas, principalmente através do contacto entre arquitectura e cenografia. Apesar da consciência da sua diferença, o arquitecto percebe os efeitos desse confronto, tendo de lidar com a emergência de resultados inesperados. Por um lado, na sua actividade de cenógrafo explorou nos seus objectos a dimensão linguística que envolve a materialidade, associando as transformações de uso às imprevisíveis mutações de significado. Por outro lado, na sua produção arquitectónica, maioritariamente em intervenções sobre o património, tem caminhado no sentido de uma hibridização temporal, escapando às tradicionais metodologias de simples distinção entre pré-existência e obra nova.


A sua obra mais emblemática talvez seja a Casa de Chá de Montemor-o-Velho, no Paço das Infantas. Este paralepípedo de vidro minimalista estabelece relações fortes tanto com as ruínas envolventes como com a paisagem distante num diálogo que atravessa os séculos. Um belo sitio para se visitar fim-de-semana fora.


Julho quente, seco e ventoso, Ódio sem repouso!

segunda-feira, julho 09, 2007

Ódio musical passado... Patricia Kass - On peur tout...

Ma liberté contre la tienne

Je ne chercherai plus ma route
Ses chemins creusés par le doute
La terre n'en sera pas plus loin
Ni plus à portée de la main
J'en aurai fait de ces détours
Où tant de bonheurs tournent court
Et peu importe la distance
Entre la joie et la souffrance
Ce sera, ce sera, ce sera
Ma liberté contre la tienne
Les vérités qui nous retiennent
Nos cœurs ne seront plus si lourds
D'avoir emporté trop d'amour
Ma liberté contre la tienne
La volonté d'où qu'elle me vienne
Partir découvrir avec toi
L'utilité de nos combats
Je serai peut-être moins forte
Touchée par des rêves d'autres sortes
Tout est fait de tant d'illusions
Que même l'ignorance est un don
Je n'aurai pas d'autre langage
Que celui de tous les partages
Jusqu'à trouver sous une pierre
Une petite chance pour l'univers
Ce sera, ce sera, ce sera
Ma liberté contre la tienne
Les vérités qui nous retiennent
Nos cœurs ne seront plus si lourds
D'avoir emporté trop d'amour
Ma liberté contre la tienne
La volonté d'où qu'elle me vienne
Partir découvrir avec toi
L'utilité de nos combats

D. Golemanas

sexta-feira, julho 06, 2007

Ódio na versão diabolica e em dicionário...


Acusador:
v.t. Afirmar a culpa ou demérito de outra pessoa, aplica-se na mioria dos casos, como justificação por lhe termos feito mal.
Hei... Anónimo que andasteis por cá ontem... qual foi o mal que vos fiz para justificar tanta acusação????? Vinde Anonimo, vinde... Dai largas a toda a vossa fúria...
Bem, hoje como tou a pedi-las o tipo não deve vir... DAMN!!!!!
O Ódio tarda mas vem!

quinta-feira, julho 05, 2007

Ódio e efemérides...


Morreu num dia mais ventoso que o de hoje se faz por aqui sentir o fantástico Farinelli, nasce em Puglia em 24 de Janeiro de 1705 e morre em Bolonha a 15 de Julho de 1782.
O seu verdadeiro nome é porém, Carlo Broschi, lendário cantor de ópera do século XVIII, o mais popular e bem pago cantor de ópera da Europa.
Famoso também por ser "castrato" – foi castrado na infância para preservar a voz aguda, prática, comum na época, a que eram sujeitos alguns cantores.
A sua imensa extensão vocal abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz: "Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio"...
A sua intonação era pura, os seus vibratos maravilhosos, o seu controle sobre sua respiração era extraordinário e a sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. E na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil.
O Ódio tarda mas não falha!

quarta-feira, julho 04, 2007

Ódio e sugestão!

Há filmes que nos marcam...
A semana passada fui ver este e aconselho que os frequentadores aqui do SHM também o façam nem que seja por uma frase que a dada altura um dos personagens diz:


"Se percebessemos realmente a essência das pessoas talvez não nos sentíssemos tão terrivelmente sós!"





Se preferirem uma exposição então proponho a que se encontra na Gulbenkian e que intitula de "Evocações, passagens, atmosferas". Pinturas do museu Sakιp Sabancι, Istambul. Exposições De 15/06/2007 a 26/08/2007 das 10h00 às 18h00, Sala de Exposições Temporárias do Museu. E talvez nos encontremos por lá...




O Ódio tarda mas não falha.

terça-feira, julho 03, 2007

Ódio e arte...


Edvard Munch nasce em Løten a 12 de Dezembro de 1863 falecendo em Ekely a 23 de Janeiro de 1944 pintor norueguês, que se tornará num dos mais importantes precursores do expressionismo alemão.
Aos trinta anos pinta o famoso "O Grito", considerada para todos os efeitos, a sua obra máxima. O quadro retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor quanto com seus amigos.
A fonte de inspiração d’O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu em criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, bem pelo contrário, sempre terá sido uma pessoa dada a depressões e melancolias, e talvez tenha sido isso mesmo que lhe tenha acentuado a genialidade.
Munch, aquando dessa ruptura familiar, acaba por se envolver com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e no início da década de 1890, mais tarde e, por forma a agravar a sua angústia, Laura a sua irmã favorita, fica diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu no seu diário:

"Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação – havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza. "
O Grito é conhecido do meio (psico)terapêutico como sendo um belíssimo quadro de transferência ou de projecção exactamente porque tanto pode transferir a emoção para quem o vê como, a pessoa que o observa pode projectar nele algumas das suas angústias mais profundas. É tido entre colegas, em tom de brincadeira: como um tipo de Rorschach Test.
Eventualmente a destacar como sendo o mais importante neste quadro (para além da cor) será a dor do grito que está presente não só na personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a vêem, é então um estado de estar dilacerante e que, portanto é transferida para tudo em seu redor, no caso do quadro, esse sofrimento é então transferido para a paisagem ficando esta como uma conotação também de mágoa. Isso sucede exactamente pela mestria conseguida no jogo entre cor e expressão que está patente, ao olharmos este quadro. Ao vê-lo quase que podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem ali desenhado.
O Ódio tarda mas não falha.

Ódio e navegação...


Aviso à Navegação:
Este blog está a fazer 1 ano e está também na altura de o mudar um pouco até porque o tempo vai rareando e as diversas postagens por dia nem sempre são possiveis...
Assim, uma vez que é:
Segunda iremos manter o dia da musica e da poesia;
Terça passaremos a ter o dia da arte e arquitectura;
Quarta sugestões culturais e reflexão;
Quinta as magnificas efemérides e;
sexta mantemos o dicionário do diabo!
Desta forma:
O Ódio tarda mas não falha.

segunda-feira, julho 02, 2007

Ódio musical passado... Intuition - Feist!

Havia sombras de distância
no teu olhar
e uma fatalidade doce
nos contornos da noite
que os dedos de estrelas
pontilhavam de poesia.
-Tu vais negar-me!
-Não te nego!
Assim reescrevemos
a história,
engolimos a vida
tementes do riso.
Rasgamos os outros
porque assim é preciso,
domamos a face, escondemos misérias,
enchemos de lama
as coisas mais serias,
para não ver um esgar,
um riso,
um afastar.
O eterno dilema de estar.
Construímos sonhos, magia
e vivemos, amordaçados,
numa eterna letargia!

M.Hate