quarta-feira, maio 09, 2007

Ódio Xila!


Foi num dia como o de hoje que morreu Johann Christoph Friedrich von Schiller. Foi dos filosofos que mais estudei juntamente com Kierkaard e, de todos o que mais me intrigou e me fez questionar a "vida" e as opções que por vezes tomamos.
A preocupação central de Schiller foi precisamente a relação entre razão e sensibilidade, entre o dever que nos é indicado pela razão, e as nossas inclinações naturais, e o seu principal pensamento filosófico parece ser com respeito ao papel da Estética como força civilizadora. Ele parte do pensamento de Rousseau, de que o povo quer o bem, mas é incapaz de reconhecê-lo sem uma educação e que a mestra para essa educação é a natureza, ou seja, as nossas próprias inclinações. Parte também da posição de Kant, que é contrária à de Rousseau, porque Kant diz que a razão é que aponta o dever e indica o que é bom e correcto.

Para Schiller o importante, é que os dois elementos, as nossas inclinações e a nossa razão, actuem juntos. Não podem os sentimentos dominarem a razão nem pode a razão destruir os sentimentos. E a natural convergência desses dois elementos está na Estética, na apreciação do belo, que exige tanto de nossos sentimentos quanto de nossa razão na sua apreciação. A razão precisa do sentimento, a fim de que a moral racional seja desejada, e o comportamento moral seja valorizado.

A sensibilidade tem que colocar o seu peso total por trás da razão. Somente quando a razão tem o peso total da sensibilidade atrás de si é que é possível para nós saltar fora do estado da natureza. Devido à presença de inclinações, qualquer que sejam, deixamos de ser seres morais confiáveis.- Pode em alguns casos funcionar, mas noutros as hipoteses são extremamente contra a razão e vencer a competição, o que é parte do argumento de Schiller. - dever e inclinação precisam de fluir na mesma direcção. - Assim, para Schiller, o caracter inteiro será vigoroso, porque será um caracter no qual a razão e a inclinação não são mais antagónicos, e no qual a razão terá a plena força do impulso atrás de si. A energia de caracter, dirá o próprio, é a principal fonte de tudo que é grande e excelente no Homem.

Não terá sido claro para von Schiller aquilo que para mim o é: equilibrar a razão e o "coração" nem sempre é tarefa fácil ou leve de concretizar, acima de tudo se ambos não forem convergentes com a tal ética (recuso a moral que tem teor mais religioso).
Entretanto dedica-se também às artes e realiza uma das mais famosas poesias, a "An die Freude" (Ode à Alegria) que mais tarde, inspirou Ludwig van Beethoven a escrever a Nona sinfonia. O compositor alemão teve contacto em 1792 com o poema e ao lê-lo ficou de tal forma impressionado com a Divina exaltação e com a descrita fraternidade humana, que começou desde logo a trabalhar no poema, contudo, só passados 32 anos é que Beethoven deu por finalizada a sua última e mais conhecida sinfonia.

"Abracem-se milhões! Irmãos, além do céu estrelado deve morar um Pai Amado." - Schiller, An die Freude, 1786.
Maio pardo e ventoso faz o Ódio formoso.