segunda-feira, março 26, 2007

Ódio musical passado... Amy Winehouse - Back to Black!

Vem

1

Vem. Imagina-te no centro de todas as viagens.
Traz o perfume de outras eras, dos dias felizes em que fomos
alguma coisa mais. Talvez crianças breves, pássaros
feridos por um amor com sede de infinito.

Lembra-me os invernos, os outonos com sabor a erva
e a folhas gastas pelo tempo. E abre-me as janelas
que me fechaste um dia. E deixa-me entrar como uma brisa
em busca dos teus olhos, soprando nos teus cabelos.

Mas vem. Cobre-te de névoa e de flores. Veste o céu azul
e os prados verdes. E sorri, no silêncio possível do reencontro.
Deixa-te cair, nua e leve, nas asas do vento,
como uma pétala de rosa sem destino,
uma bola mágica de sabão
reflectindo sonhos no espaço. E aconchega-te dentro de mim.

Mas vem, anjo de transparências, de mãos brancas e suaves,
fruto exótico das minhas miragens. Vem. Traz a pureza
dos campos, o som das ribeiras correndo pelas encostas,
o murmúrio da noite de encontro às madrugadas.


2

Vem, apenas. Como se o mundo estivesse acabando,
a cada passo que dás em busca do meu sonho. E depois
não houvesse mais nada. Só tu e eu, enlaçados em viagem,
sobrevoando todos os horizontes.

Mas vem. Vem. Vem sem perguntares pelo amanhã,
pelos abismos que se abrem nas fronteiras dos nossos corpos.
Vem apenas. Com a lucidez dos espelhos e a espuma
inquieta do mar, batendo no calhau da praia.

Vem, docemente, como um papagaio de papel-de-seda
em tardes de vento brando. E fala-me de fadas, de castelos,
de rios mansos, onde alguma vez pudemos navegar.
Mas diz-me coisas sobre as árvores e as casas. Ou leva-me
contigo, como se fossemos apenas aves e voássemos com
o mesmo bater de asas. Vem, ou deixa-me morrer
com a tua lembrança numa manhã cinzenta,
com as gaivotas gritando no cais
e os vagabundos repartindo o seu sono
com os meus pesadelos. Mas vem,
como se partisses para sempre
e me esquecesses
nas tempestades das invernias desta ilha
algures perdida no tempo.
Vem.

J.A. Gonçalves

14 comentários:

Vanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thunderlady disse...

Gostei muito.

Me Hate disse...

Thank you so very much...

quandoasformigasatacamopicnicestácomprometido disse...

Bonzinho,o poema. Confesso que me toca mais pela sensibilidade que aflora, que me toca a mim, pessoalmente, de forma profunda, do que propriamente pela sua qualidade poética. Resultado: sinto-me lânguida, evanescente, deliquescente, eu sei lá.

Me Hate disse...

Não o escolhi de facto, pela qualidade poética... mas sim, pelo que representa, e, exactamente, pelo o que representou para mim no momento em que o li...
Fico feliz que a si também lhe tenha tocado e lhe tenha proporcionado esse mar de sensações... para mim (que de facto nada sei!) um poema também é isso: as sensações que nos oferece e os sitios para onde nos transporta...

FG disse...

Como tinha disse no meu blog, deixo aqui a musiquita que procuro ... se encontrares diz-me são na realidade 2 "Truth" do the gift e "Why Should I care" da Diana Krall

Me Hate disse...

Oh Fg vou já ver disso e já reporto no teu blguissimo... Inté jazz...

xá-das-5 disse...

Posso falar da música?
Pois esta música, no início, faz-me logo lembrar um tema dos Madness.
E basta isso para eu a considerar plagiante (ou plagiadora).

Me Hate disse...

Oh Xá podes falar do que quiseres... o Salazar ganhou mas (felizmente) também já morreu!!!!

Oh que pena... a "sinhora" Amy irá por certo ficar triste... Eu certamente, não! Conheço Madness mas não acho que tenha a ver... enfim, opiniões...

xá-das-5 disse...

A memória serve para alguma coisa...

Me Hate disse...

Muita até...

xá-das-5 disse...

É a malfadada sorte de ter ouvido absoluto.

Me Hate disse...

Tisíco até!

somebody disse...

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